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quarta-feira, 25 de março de 2026

Guerra EUA/Israel contra o Irã

 

O jogo dos trezentos erros

 

O New York Times publicou um relatório afirmando que Trump foi informado pelo Mossad de que um ataque ao Irã e a decapitação de Khamenei (o pai), levaria a uma rebelião dentro do Irã e a queda do governo, essa foi a informação que Trump recebeu. Nenhum de seus assessores contestou essa informação. Todos concordaram que um ataque de força dos EUA destruiria o governo do Irã.

Claramente houve uma subestimação das capacidades do Irã e uma superestimação das reais capacidades dos EUA de realizar tal ataque. O relatório claro, vai numa linha de procurar os culpados pela situação atual. Na percepção do jornal os EUA perderam a guerra, a preço de hoje, e direciona a culpa para Israel.

O Global Insight Journal publicou o relatório de um centro de um think tank que dá conta das condições das tropas estadunidenses. Segundo o estudo, o moral da tropa está em seu nível mais baixo, com o número dos pedidos por impedimento de consciência tendo subido 1000% nos últimos dias. Dentre os motivos para o desanimo dos soldados estão: a falta de clareza dos objetivos da guerra; o massacre de crianças no primeiro ataque, a situação do porta aviões Gerald Ford, onde um incêndio “misterioso” não está claro para os soldados. Houve um ataque iraniano ou, trata-se de um motim?     

Segundo o estudo, muitos membros das forças armadas estão se questionando porque seguir as ordens de Netanyahu em vez de defende o seu próprio pais. Junte-se a isso a incapacidade de o Pentágono defender os ativos estadunidenses na região do conflito. Assim o moral da tropa está se degradando cada vez mais.

A perspectiva de arriscar a vida numa operação mal planejada, sem clareza dos reais motivos, segundo um veterano encarregado de treinamento das tropas, está fazendo com que os soldados se sintam desmoralizados.

 A base MAGA está rachando. Figuras fundamentais como Marjorie Taylor Green, Tucker Carlson e outros tem sido muito criticas da guerra. Segundo pesquisas 70% da base MAGA é favorável ao fim imediato da guerra.

Por fim temos a presunção de que os aliados da OTAN viriam automaticamente para o apoio efetivo a guerra, aqui também o governo Trump calculou mal. As reações são diversas, desde um apoio verbal envergonhado, até posições abertamente contrarias como a da Espanha.   

 

domingo, 15 de março de 2026

Entenda o Irã PARTE 3

 Entenda o Irã PARTE 3

 

Tática vence batalhas, Estratégia vence guerras.

Coronel Douglas MacGregor

 

Aiatolá Mojtaba Khamenei, novo líder do Irã
Segundo o coronel MacGregor os EUA não possuem uma estratégia clara sobre o que fazer no Irã. A tática inicial consistiu em ataques de estilo choque e pavor atacando escolas de crianças matando 165, depois disso já atacou mais duas escolas e uma quadra de vôlei matando os jogadores. Também atacaram um hospital. Essa é uma tática antiga da aviação dos Estados Unidos, atacar alvos civis para provocar terror e revolta. Detalhe: até hoje não houve uma situação em que bombardeios aéreos provocasse uma mudança de regime em parte alguma, mas eles insistem.

O cálculo estado-unidense era que os bombardeios ajudariam a provocar uma revolta popular e, com grupos insurgentes inflando a revolta, haveria uma derrubada do governo. O fato de os EUA ficarem surpresos com o fracasso dessa tentativa demonstra que o coronel MacGregor tem razão, faltou uma estratégia de guerra. Agora trata-se de desenvolver uma nova abordagem da questão, até porque a resposta iraniana surpreendeu o Ocidente como um todo, não só pela proposta, mas pela efetividade.

 

 

UMA GUERRA DE SOBREVIVÊNCIA      

 

Os EUA se prepararam para uma guerra de curto prazo, rápida e mortal para decapitar a liderança e derrubar o governo iraniano.

Os iranianos, pelo contrário, vem se preparando a muito, para uma guerra de atrito, de longa duração. E, sua cartada inicial foi genial.

Em vez de centrar fogo em Israel, o Irã se preparou e vinha se preparando para uma guerra prolongada com os EUA, onde Israel é apenas mais um item.

Vejamos. O ataque a infraestrutura dos EUA ao redor de si foi muito bem executado. As estruturas de radar nos diversos países do golfo foram completamente destruídas. Sistemas bilionários de radar que vigiavam, inclusive a Rússia, foram destroçados eficientemente pelos drones e misseis iranianos.

O Irã tem uma tecnologia e uma indústria de armamentos subestimada pelo Ocidente. Desde a guerra dos 12 dias, o Irã vem afirmando: Temos muitas armas, temos armas que não usamos e temos capacidade de fabricação.

Os ataques precisos a refinarias, bases dos EUA, fabricas de munição, indicam uma boa capacidade de obter informações, trabalhar essas informações e direcionar ataques a alvos precisos.

Intimidou meio mundo no entorno de si, os Estados do Golfo acusaram rapidamente o golpe. A sede da 5ª frota dos EUA foi totalmente destruída. Os EUA não revelam, mas o número de militares dos Estados Unidos mortos beira os 700 nessa primeira semana de combates. Aviões F15 estão sendo abatidos, o doce passeio pelos céus do Irã está saindo caro.

A presença dos Estados Unidos no Oeste da Ásia está derretendo a olhos vistos e para espanto de muitos.

 

A MANIPULAÇÃO DA MIDIA

Claro a imprensa da classe Epstein tem omitido tudo que pode. Israel iniciou no fim da semana começou uma tática que consiste em mostrar, para negar que censura, algumas imagens de ataque a alvos civis. Felizmente, ninguém esta se comovendo com essa manobra.    

Os estenógrafos dos jornalões no Ocidente estão empenhados em mostrar a “crueza do Irã” atacando os pobres coitados do Golfo Persico, aquele bando de árabes perfumados, montados na subserviência aos interesses dos EUA. Apresentam o Irã como Estado agressor, omitindo o fato de que o Irã, uma potência não nuclear está sendo atacada por duas potências nucleares, sem provocação, em pleno processo de negociação.  

 

AS BOTAS NO TERRENO

 

Diante da impossibilidade, pelo menos até aqui, de derrubar o governo do Irã, uma solução pensada é por tropas no terreno e invadir o Irã por terra. Aqui tem duas possibilidades: usar os curdos para invadir o território iraniano; usar os azeres para invadir o Irã.

Problemas. Os curdos foram abandonados pelos EUA na Síria e até agora, não morderam essa isca. O Azerbaijão pode cair na tentação, há uma presença azere no Irã.   

Há uma possiblidade de os curdos virem a aceitar: a possibilidade de adquirir muitas armas e dinheiro, isso pode se tornar tentador para eles. Podem ceder também a vagas promessas de criação de um estado curdo. Aí o problema seria a Turquia que simplesmente não permitiria.

Quanto ao Azerbaijão seria uma jogada arriscada, Aliev vem flertando com o Ocidente há muito tempo, mas isso pode acabar muito mal, a derrota dos azeres pode resultar numa rota direta por terra, Irã-Rússia.

Outra solução ainda seria envolver o Baluchistão bem na fronteira leste do Irã, ai a questão é complicada porque o Paquistão tem relação com os EUA, mas também tem boas relações com a China e o próprio Irã.

Finalmente a solução para ter botas no terreno seria mover o exército dos Estados Unidos para a área. 

 Bom aqui também há problemas, o efetivo do exército dos Estados Unidos hoje está em torno de 450.000 homens juntando tudo. O efetivo do Irã está em torno de 500.000 homens.

Para ser efetiva uma invasão por terra teria que ter pelo menos uma vantagem de 3 x 1, ou seja, três atacantes para cada defensor, idealmente 6 x 1. Então, no mínimo, seria necessário 1.500.000 de soldados para uma invasão.

Mobilizar esse efetivo numa sociedade muito dividida, uma guerra impopular e uma liderança frágil é uma tarefa muito difícil de ser executada.

Aguardemos. 

domingo, 8 de março de 2026

Entenda o Irã PARTE 2

Entenda o Irã PARTE 2

 


UMA GUERRA DE ESCOLHA

Os EUA e Israel, a gangue de pedófobos, estupradores, genocidas, assassinos, iniciaram uma guerra de escolha contra o Irã. Uma guerra de escolha implica que eles precisam destruir o governo iraniano em curto espaço de tempo. De fato, os sionistas no governo Trump o convenceram de que seria realmente uma operação de dias, bombardeios sucessivos e o governo cairia, pois, a população reagiria contra o governo e o derrubaria.

O único funcionário do chefe da gangue que ousou expressar as preocupações de seus colegas foi um general, prontamente demitido, que argumentou: sim, podemos atacar o Irã, mas não podemos controlar os danos, não dispomos de equipamento/munição suficiente para uma guerra de longa duração. Obviamente não era o que o chefe queria ouvir. O general foi demitido, mas suas opiniões “vazaram”, o que contribuiu para baixar a credibilidade de Trump. Cerca de75% da população dos EUA não apoiam a guerra.

No momento recursos de diversos lugares estão sendo redirecionados para o Oriente, misseis localizados na Ásia e na Europa estão sendo transferidos para o teatro da guerra. O problema é a dificuldade de logística dos EUA. Eles não são mais uma nação industrial, isso implica uma dificuldade enorme de produção acelerada e em grande quantidade de misseis e munições. Um forte gargalo esta na fabricação de interceptadores. Outro problema são os custos.

Os drones iranianos mudaram a guerra moderna, trouxeram para o cenário da guerra de atrito uma nova dinâmica. São baratos, descartáveis e eficientes, muito eficientes, como fica claro na guerra Rússia X Ucrânia.

Acontece que, para interceptar um drone de U$ 50.000, os EUA utilizam interceptadores que custam alguns milhões de dólares cada unidade, e, são necessárias várias unidades para drone. Novamente, eis o porquê de o ataque dos EUA ter que ser rápido, os custos são multiplicados por milhões à medida que o tempo passa.

UM ERRO ESTRATÉGICO

O Irã é uma república democrática, a mais estável do Oriente, com eleições regulares para presidente, realizadas a cada 4 anos. A cada 4 anos são também realizadas eleições para o parlamento iraniano. Além dessas uma outra eleição é feita uns três meses depois das eleições parlamentares. Trata-se da eleição para o Colégio de Sábios (88 membros), estudiosos do Islã, de onde se nomeia o Líder Supremo, a autoridade máxima do Islã no país.     

Logo, uma ação de decapitação como a realizada pela gangue de Epstein, só reforçou o papel desempenhando por Khamenei, um líder respeitado por todo o Islã, integro, viveu e morreu coerentemente com sua pregação e sua ação enquanto líder da República.   Não se escondeu, não fugiu do Irã, não se enfiou em algum buraco no país. Estava exposto, no seu escritório, no lugar de sempre. Sua morte foi gloriosa. E, isso o Ocidente não entende porque esta moralmente alguns degraus acima dele. Khamenei foi martirizado e isso é tudo que um fiel islâmico poderia desejar para sua morte, o martírio é uma honra.

Assim o último ato de Khamenei foi um grande foda-se para a gangue de Epstein e um chamado ao povo iraniano, um grande “não se renda”, defendam nossos ideais, defendam cultura e modo de vida.

  

terça-feira, 3 de março de 2026

Entenda o Irã. Parte 1


 O Irã é um país estratégico em vários níveis. Se reparar no mapa, você notará que se atravessar o Afeganistão chegará à China. Se você atravessar o Azerbaijão e a Geórgia, chegará à Rússia. Do ponto de vista militar isso é muito sério. Misseis e bases aéreas podem fazer estragos nos dois países.

Agora Trump voltou a ameaçar o Irã. Essa ameaça agride ao Irã , a Rússia e a China. Na pratica, trata-se de manter incomodado os principais adversários do império. Argumento há bastante tempo que , deixado em "banho marinho" o mundo caminhar tranquilamente para uma mudança do eixo econômico do Ocidente para o Oriente. Acontece que mudanças de tal magnitude na história humana nunca foram pacificas, nenhum império caiu sem resistências. Os realistas argumentam que não existe um governo global ao qual todo mundo se submeta, sendo assim as relações entre as nações é uma luta intensa pelo poder, na qual os Estados sempre agirão no sentido de otimizar a satisfação dos seus interesses em detrimento dos outros Estados, logo, os atritos são inevitáveis, a menos que se reconheçam espaços de atuação previamente acordados, mesmo ai com a possibilidade de confrontos em um ou outro momento.

Voltando ao Irã, trata-se, portanto, de evitar que o Irã se desenvolva ainda mais e ao mesmo tempo ampliar as possibilidades de ataque à Rússia e à China.

Nos sonhos molhados dos Israelenses e EUA, o Irã deverá ser derrotado e e dividido em pelos pelos quatro estados menores e rivais entre si. A rivalidade é importante porque facilita o controle e a manipulação dessas regiões.

 

OS DESAFIOS DA INVASÃO

 

O Irã é uma nação com 90/93 milhões de habitantes, é um país orgulhoso de sua cultura, de sua independência. Tem muita resiliência na luta anti-imperialista, no combate ao Estado sionista em Israel. Não contra o povo judeu. Pelo contrário, existe no Irã uma comunidade judaica que vive em perfeita harmonia com o Estado iraniano, sem perseguições e coisas do tipo.

O país é tão cioso de sua independência que tanto Rússia quanto a China tentaram aprofundar a cooperação e alianças. Só depois da Guerra dos 12 dias, aliás, durante os ataques, o Parlamento Iraniano ratificou um acordo de cooperação estratégica com a Rússia, mesmo assim não aceitou a proposta russa de um acordo de apoio militar  nos moldes do que a Rússia tem com a Coreia do Norte. É claro depois da Guerra dos 12 dias estreitou sua cooperação militar com China e Rússia, mas ainda se recusa a abrir mão de um fio de cabelo de sua soberania.

Não seria nada fácil dominar um país assim

 

AS LICÕES

 A Guerra dos 12 dias

As primeiras 24h. Fiquei boquiaberto olhando aquelas imagens dos primeiros ataques israelenses. Aviões sobrevoando livremente o espaço aéreo iraniano, como assim? Onde estão as defesas aéreas?  

Nos dias seguintes a surpresa. O Irã se refez rapidamente dos primeiros ataques e passou à ofensiva. No quarto dia já estava claro que o tal Domo de Ferro não passava de uma peneira de palha. O Irã iniciou um ataque maciço de drones e misseis mais antigos, sobrecarregando as defesas israelenses, depois passou a usar seus misseis mais modernos de forma mais contida, o suficiente para intimidar Israel que recorreu a Rússia e aos EUA para conter o Irã.

Muita gente no Irã não queria um cessar fogo, achavam que  tinha chagada a hora de esmagar Israel. Mas a liderança iraniana se conteve e , na minha opinião, preferiu um acordo de cessar fogo com os EUA. 

Assim a Guerra dos 12 dias deixou como lição principal o seguinte. Sim o Irã tem capacidade militar para destruir Israel , mas potencialmente seria destruído pelos EUA. Criou-se um impasse.

 

OS PROTESTOS E A NOVA OFENSIVA IMPERIALISTA.

 

Os Estados Unidos orquestraram uma crise econômica no Irã. Um ataque bem planejado a moeda levou a uma absurda desvalorização e ao Rial(moeda iraniana) caiu abruptamente.

O cálculo era simples, a queda da moeda levaria a protestos e revolta social. Claro tudo bem azeitado pelos ativos da CIA, do MI6 e do Mossad. Em meio a protestos legítimos de parcelas da sociedade apareceram pessoas armadas atirando tanto em policiais como em civis na esperança de que as coisas evoluíssem para um conflito armado generalizado.

Grupos armados formados por radicais anti governo, de diversas etnias, treinados e alimentados pelos suspeitos de sempre deveriam espalhar o clima de conflito eventualmente levando a queda do governo.

Falhas: 1. No Irã é proibido possuir armas, logo não eram civis normais armados; 2 o bloqueio da internet e dos satélites starlinks, com ajuda provavelmente da Rússia e da China.

O corte da internet e dos satélites impediu a coordenação dos grupos, eles agem sozinhos cada um do seu lado, o suspeito de sempre fornecia a coordenação do ataque. Sem direcionamento os grupos foram rapidamente dissolvidos e/ou abatidos.

Falha 2. Supor que a sociedade iraniana racharia facilmente, ignorando o fato de que a República Islâmica do Irã é uma Republica estruturada, consolidada. Com toda a herança dos persas, uma civilização de pelo menos 5.000 mil anos. Você não destrói algo assim facilmente

       Assim terminou a aventura de Israel dos EUA na tentativa de derrubar o governo iraniano.

Fiz esse texto antes da guerra, achei útil publica-lo mesmo agora onde já enfrentamentos a realidade da guerra de agressão, não provocada, de escolha, dos EUA/Israel mais uma vez tentando derrubar o governo iraniano.

Vamos ver como a guerra se desenrola e se meu raciocínio sobre o Estado iraniano e as implicações dessa guerra estavam corretas. 

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

 

Alastair Crooke – Esperando por imagens de submissão abjeta que não aparecem


A questão é que, nos círculos de Trump de hoje, não só não há medo da guerra, como também existe uma ilusão infundada do poder militar americano. Hegseth disse: “ Somos o exército mais poderoso da história do planeta, sem exceção. Ninguém mais pode sequer chegar perto disso ”. Ao que Trump acrescenta: “ Nosso mercado [também] é o maior do mundo – ninguém pode viver sem ele” .

Leia artigo completo no Brave New Europa

A Tragédia do Império: De Virgílio à Ucrânia

 A Tragédia do Império: De Virgílio à Ucrânia

 

Virgílio, escrevendo há dois mil anos, nos deu um modelo não apenas para a grandeza imperial de Roma, mas também para sua tristeza oculta. Em "Eneida", em meio à fumaça de Troia e ao nascimento de Roma, ele ousou fazer uma pausa. Deu nomes aos sem nome, vozes aos sem voz, aos soldados dispensáveis cujo sangue irrigava o solo do destino. Ao contrário de Homero, que se deleitava com o confronto de heróis, Virgílio rompeu com a hierarquia: mostrou-nos a bucha de canhão, jovens arrastados para guerras que não escolheram, que morreram não por amor ou justiça, mas pela fria aritmética do império.

 Essa dupla visão: glória para Roma, tristeza pelos caídos, continua sendo o eterno paradoxo do império. Augusto exigiu propaganda, e Virgílio a atendeu. Mas, nas entrelinhas, vemos hesitação, quase piedade. O desespero de Dido, as mortes de soldados anônimos, os destroços humanos deixados para trás: essas são as divergências sussurradas de Virgílio. O poeta sabia o que Augusto não queria admitir: que o império se alimenta de sacrifícios, e seu banquete nunca é pago pelos imperadores, mas por aqueles pressionados a servir.


 Avançando dois milênios. Mais uma vez, o roteiro imperial se desenrola. Washington, Londres e Bruxelas, intoxicados por seus próprios mitos, usam a Ucrânia como a ponta de sua lança. Kiev é informada de que está "defendendo a democracia", mas, na realidade, a Ucrânia é transformada em bucha de canhão de Virgílio: vidas jogadas em um moinho, não para preservar sua nação, mas para servir ao império decadente do Ocidente. Os nomes mudam, os trajes são modernos, mas a função permanece a mesma: sangrar pelo destino de outra pessoa.

 

Assim como Virgílio traçou a tristeza por trás da conquista, vemos a tragédia hoje em intermináveis listas de baixas. Uma geração de ucranianos, ensinada a acreditar em um falso destino manifesto alinhado à OTAN, é engolida por uma guerra que jamais poderia vencer. O Ocidente não os lamenta, assim como Augusto não lamentou os troianos anônimos abatidos na estrada de Roma para a glória. Em vez disso, são elevados a abstrações: "heróis", "mártires", "defensores". Mas a realidade é mais simples, mais cruel: são bucha de canhão, recrutados para o roteiro do império, com sua humanidade apagada em favor da propaganda.

 A genialidade de Virgílio foi enxergar os dois lados. A Eneida glorifica a missão de Roma, mas antecipa seu colapso moral. Assim também hoje, testemunhamos a propaganda de "valores" do Ocidente, mas por trás dela há podridão. Este império que finge oferecer civilização só entrega caos, dívidas e guerras por procuração. Assim como Cartago sucumbiu à ambição de Roma, a Ucrânia é consumida pela arrogância de Washington. E assim como a morte de Dido simbolizou os danos colaterais da conquista, a tragédia da Ucrânia não é nobre, meramente sacrificial, não nasce do destino, mas é imposta pelo império.

 A metafísica da guerra e o objetivo final do império convergem aqui: o Ocidente se revela como herdeiro de Augusto, exigindo glória enquanto esconde a decadência. A Rússia, por outro lado, personifica a percepção mais profunda de Virgílio: a de que a civilização deve estar enraizada em algo maior do que a conquista. A de que a guerra não pode consumir indefinidamente o futuro sem destruir o próprio solo que afirma santificar. Moscou se recusa a se deixar reduzir a bucha de canhão no manual de outra pessoa.

 Os gregos e romanos nos ensinaram que impérios ascendem e caem em ciclos, cada um cego por sua própria arrogância. A ambivalência de Virgílio era profética: todo império que ignora a humanidade de sua bucha de canhão cava sua própria cova. Hoje, não é a Rússia que escreve tragédias, é o Ocidente, descartando vidas ucranianas em uma tentativa inútil de reafirmar a hegemonia. Virgílio reconheceria isso instantaneamente.

 A tragédia do império é eterna: o império vive exigindo que outros morram. Virgílio, o relutante profeta da bucha de canhão, previu isso. O vazio da conquista jaz nu, seu teatro exposto como espetáculo. E na Ucrânia, a cortina cai: o "destino manifesto" do Ocidente torna-se seu canto fúnebre. Pois impérios não caem porque são derrotados por inimigos, eles caem porque devoram seus próprios filhos.

 

– Gerry Nolan

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

CRISE EUROPEIA IV

 Crise da Europa IV: O desafio militar

 

Durante a polemica dos drones sobre a Polônia, um ministro polonês disse “ Vá você para a Ucrânia”. A frase foi dita num contexto de pressão dos outros “amigos” da coalização dos indispostos (dispostos). Os amigos cobravam uma ação mais efetiva da Polônia, incluindo o comprometimento em enviar tropas para um lugar chamado Ucrânia.

Sobre o incidente dos drones:

- 19 drones penetraram o território polonês;

- Fotos e relatos dos locais dão conta de que não se tratou de um ataque russo;

- As poucas imagens que apareceram nas redes sócias mostram pedaços de drones colados com esparadrapos, ou seja, montados rudemente, e com características de drones iscas e não drones de ataque;

- Dos 19 drones, só 4 foram abatidos, os demais caíram em território polonês;  

 

Consequências e versões:

 

1  A Polônia abriu uma investigação formal;

2 Várias autoridades polonesas espalharam a suspeita de ataque russo, logo divulgadas amplamente pela mídia oficial ocidental, por todo o Otanistão;

3 A medida em que a hipótese de ataque russo se enfraquecia, por exemplo um cidadão local à a casa que teve o telhado arrancado, afirma que o tal telhado já tinha sido arrancado por uma tempestade no mês anterior, a linha oficial na Polônia foi mudando para um possível ataque da Bielorrússia até que veio à tona a informação de que autoridades bielorrussas tinham avisado Varsóvia sobre os drones. Nesse ponto tá tudo muito confuso.

4 A Polônia está usando o episódio para arrancar mais dinheiro de Bruxelas, enfatizando a necessidade de proteger a fronteira. 

5 Uma versão de origem polonesa da conta que a Ucrânia está usando de bandeira falsa para atrair a OTAN e os EUA para a guerra. Explicando: A Polônia é um país da OTAN. Uma agressão à Polônia poderia levar a entrada formal da OTAN na guerra com envio de tropas. Claro a OTAN está plenamente fazendo parte do conflito, só não assume formalmente, temendo o ataque russo.

A Europa não conseguiu seque deter um ataque de drones iscas que acabaram caindo em território polonês, que só se deu conta do que estava ocorrendo porque a Bielorrússia avisou.

Isso diz muito sobre as capacidades militares da OTAN.

Depois da Segunda Guerra Mundial a Europa estava arrasada economicamente, militarmente. Os EUA financiaram a reconstrução europeia não gratuitamente. Além do custo financeiro, da presença maciça das empresas americanas na Europa, ocorreu também ocupação militar. Os EUA   encheram a Europa Ocidental de bases militares. A Alemanha em especial é uma grande base americana, são dezenas de bases americanas só no território alemão. Os misseis nucleares na Alemanha são dos EUA.   

O resultado é que a Europa não tem exércitos fortes, tecnologia militar de ponta e está muito atrasada na tecnologia de misseis. Só existem três nações com a tríade nuclear: Rússia, EUA e China. A tríade nuclear se caracteriza por ter o poder de fazer um ataque nuclear por água, terra e ar. A França tem alguma capacidade nuclear, a Inglaterra um pouco menos e a Alemanha nenhuma.

O tamanho dos exércitos e sua prontidão de batalha dos exércitos europeus são ridículos perto dos concorrentes maiores. O segundo exército da OTAN é o turco e a Polônia anunciou recentemente a intenção de ser o segundo, sendo os EUA o primeiro, claro. A Alemanha também vem anunciando a pretensão de se tornar esse segundo exército da OTAN e primeiro na Europa Agora, se falamos em divergências no campo do BRICS, e na OCX, não se pode ignorar que a Europa é também profundamente dividida. Se os EUA se afastar da Europa como pretende Trump, a União europeia e sobretudo a OTAN, se esfacelariam em instantes e teríamos um cenário extremamente volátil, com a divisão da Europa em blocos que já estão se formando. Os Estados bálticos formariam o bloco, aliás já estão formando um bloco dentro da OTAN. O centro provavelmente se juntariam (já existe acordo Reino Unido França), A península Ibérica tende a se juntar, talvez com adesão da Itália. Os Estados do leste tenderiam a formar outro bloco.

Por tudo isso, a ideia de uma Europa se preparando para uma guerra contra a Rússia é simplesmente ridícula.   Para terem alguma chance é fundamental segurar os EUA na OTAN, daí o servilismo europeu, daí “o papai Trump”.

Uma comparação muito como entre analistas militares dão conta de outra diferença grave. A capacidade russa de produção é enormemente superior a da Europa. A Europa se desindustrializou muito enquanto a Rússia vem aquecendo sua produção industrial e está com a produção a todo vapor em função do conflito com a Ucrânia.

No entanto, o discurso de a Rússia é um inimigo, opera em várias frentes. Na frente eleitoral, serve para tentar salvar governos liberais sem nenhuma legitimidade como Starmer (Inglaterra), Macron (França) Merz (Alemanha). Serve aos mesmos governos para sua política de rearmamento. É preciso justificar, perante a opinião pública, porque não vão gastar com saúde, educação, segurança, melhorias salariais, moradia porque vão engordar os cofres das empresas de defesa e a proteção dos lucros dos ricos.   

 

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

CRISE EUROPEIA III

CRISE EUROPEIA III

 

 

Então temos uma Europa que depende essencialmente de si mesma para sobre viver.

E aí. Como fica?

Bem vejamos:

 

- Não há mercadorias baratas da China, ou vem sendo reduzidas pelos próprios europeus;

O ouro da África, vários países africanos vêm lembrando que é deles e tomando o que tem para si    

- A energia barata, também por iniciativa da Europa, sumiu. Aliás, mais um prego foi posto nesse caixão com o acordo entre China e Rússia para a conclusão do Power Sibéria II, simplesmente um fluxo absurdo de gás que vai fluir direto da Rússia, passando pela Mongólia e chegando a China, por um prazo mínimo de 30 anos. O Power Sibéria II destinava-se à Europa.

Assim a Europa vem declinado lenta, mas constantemente ao log das últimas décadas.

 No entanto esse movimento para a perda de importância econômica da Europa sofreu uma aceleração acentuada e continua a parti de 2022.

Trata-se da OMS (Operação Militar Especial) da Rússia na Ucrânia. Em meu podcast e no blog já cometamos sobre esse evento, mas faremos um novo post esclarecendo melhor essa questão.

O fato é que a OMS precipitou processos já em andamento. Com a Operação russa em andamento a Europa se uniu aos EUA numa série de sanções contra a Rússia. O efeito danoso dessas sanções foi aprofundado pela explosão dos gasodutos NortStream I e II pelos EUA/Europeus. Fato denunciado pelo jornalista estadunidense Simon Hertz, e afirmado em declarações de autoridades estadunidenses em entrevistas.

O resultado de tais acontecimento vem sendo um aprofundamento da crise europeia que, com os fatores mencionados anteriormente vem assistindo suas economias descer ladeira abaixo.

A essa altura você pode, ok, mas, e os europeus, as pessoas na Europa, como elas estão reagindo a esses eventos?

Vamos lá

- Os preços do gás na Europa tem subido, dificultando a vida das pessoas. Num primeiro momento os governos europeus adoram uma política de subsídios às famílias e as empresas para aliviar o aumento do custo do gás. A capacidade dos governos fornecerem esses subsídios secou.

- O preço dos alugueis estão muito elevados, levando a uma crise de moradia. O irônico nisso é que se você quiser reclamar de moradia na Alemanha por exemplo você deverá se encaminhar para a maior proprietária de imóveis na Alemanha, a Blackstone, dos EUA. Os estados europeus não têm investimento em moradias, isso é, praticamente tudo, setor privado. O trabalhador alemão, britânico, português, espanhol e outros tem gasto mais de 50% de sua renda só para ter um teto, não necessariamente uma casa, onde dormir. Adquirir uma casa proporia é praticamente impossível.

As pequenas e medias empresas na Europa estão sendo sufocadas com os aumentos nos custos de produção. Mas, do outo lado, o sistema financeiro, a ciranda, o grande cassino da especulação, das fintecs, das ações, das criptomoedas, prosperam porque essa é a nova lógica do capital hiperfinanceirizado que caracteriza a fase atual do capitalismo. 

     

 

   

terça-feira, 10 de setembro de 2024

BRASIL: DUAS CRISES E SEUS DILEMAS

 

  ATO I

A saída defenestrada do ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, encerra um capítulo vergonhoso do atual governo Lula. O mundo assistindo a um genocídio ao vivo, 24/7, realizado pelo Estado bandido, assassino, racista, fascista de Israel, e o ministro de um país, cujo governo se arvora progressista, expressa sua cumplicidade pela omissão vergonhosa e injustificada. Bela frase não torna alguém interessante, e o palavreado versus as ações do ministro, mostram isso.  De resto confirma a ideia de que não se deve julgar o homem pelo que ele diz de si, ou pela imagem que projeta. Se você professa crença inabalável nos ideais humanistas não pode ter conta si denúncias de assédio moral contra funcionários e muito menos, de assédio sexual. Assim um balanço preliminar da atuação do ministro desfaz os mitos que se criaram em torno dele.

Quanto a ministra da Igualdade Racial, nada fez que justificasse a criação do seu ministério, muito barulho com ações muito afirmativas como usar avião do governo para vaiar e ironizar torcida adversária, enquanto a violência contra a população pobre e negra grassa os estados brasileiros com uma polícia e governos estaduais sancionando a violência gratuita contra os irmãos.

A condução dos casos envolvendo o ministro e a ministra mostra a falência do discurso de compromisso com a questão racial e o combate aos abusos contra as mulheres no governo. Os fatos vieram à tona agora, mas já eram de conhecimento, segundo tudo o que se pública e não se desmente, há pelo menos um ano.

Isso quer dizer: zero regras de conduta, zero prevenção de crise, muito blá blá blá sobre nossas diferenças nessas questões em relação aos conservadores. Em nossa opinião, todo conservador é um hipócrita, pelos menos ainda não vimos uma exceção, mas essa crise mostra que também entre nós, da esquerda, tem muita hipocrisia.

Um julgamento definitivo do ministro no que se refere a sua conduta pessoal aguarda o esclarecimento dos fatos, com as devidas apresentações de provas, bem como o esclarecimento sobre os fatos que deverão ser prestadas pela ministra. Mas, quanto a ação política dos dois nos ministérios, nada menos do que decepcionante. Faltou ser de esquerda.

 

ATO II

 

Sete de setembro. A extrema direita convocou um ato cercado de dúvidas que se confirmaram. Primeiro não bombou como se supunha, o esforço para apresentar o ato do dia sete como vitorioso, só funcionou mal e mal entre as hostes extremistas.

Fatos que evidenciaram algumas suposições:


1 – Bolsonaro, com seu habitual tato político e clareza de pensamento, vociferou: “Arranquem a bateria desse carro”.  Segundo ele, só o grupo dele estava ali para defender coisas serias, o resto é balburdia, etc etc.  O resto, ao qual o inominável se referia eram Pablo Maçal, seu calo mais novo e/ou o antigo calo, Carla Z.

2 – Pablo Maçal, precisamos falar de Pablo Maçal. Maçal aparece, estrategicame
nte, no final do ato, na fala do inominável, onde mais ele poderia chamar a atenção, no meio da massa, acenando, agitando a galera. Maçal teria tentado subir no palco, mas foi barrado por Mala Vaia e taxado de oportunista.

3 – Uma hierarquia foi evidenciada. No palco principal a família e convidados, o resto é segunda divisão. O que ficou evidente na fala de Carla Z, ao se referir à Dallagnol. Segundo ela, injustiçado até por quem deveria apoia-lo.

4 – Ricardo Nunes é oficialmente apoiado por Bolsonaro, pois bem. Nunes simplesmente compôs o palanque principal, em sua cidade. Não teve fala, nem sequer foi anunciado. Apenas uma vaca no presépio.  

Por fim, a extrema direita está abalada com o fenômeno Pablo Maçal e,
claramente cindida. Resta saber como irá se reagrupar para disputar 2026. No estágio atual, Maçal ameaça por de lado, o projeto Tarcísio 2026, tal a desenvoltura desse ... “rapaz”.

 

Em conclusão, de novo ele, Pablo Maçal. Maçal hoje não só divide aguas em seu campo, mas abala a esquerda. Maçal desafia a esquerda a ser esquerda, a sair do liberalismo modorrento, sem graça e sem apelo, no qual se meteu.

A julgar pelas ações do governo atual nos campos econômico, política externa e política institucional, os trabalhadores do Brasil precisarão de uma nova esquerda radical. Urge começar um trabalho de organização da classe trabalhadora no sentido da construção de uma sociedade socialista. O apelo à Maçal, de parte de nossa juventude, evidencia um desejo latente por mudanças, quaisquer mudanças que signifique romper com tudo que está aí.     

Isso está evidenciado nas eleições estaduais na Alemanha, onde a extrema direita e a esquerda um pouquinho só esquerda, esquerda, foram as duas forças políticas que mais chamaram a atenção das pessoas. Também na França, onde a França Insubmissa e Le Pen botaram os liberais de quatro. França, aliás, onde toda a hipocrisia das democracias liberais esta escancarada, com o golpe de Macron.    

Viva Chaves, Viva Bolivar!

terça-feira, 30 de abril de 2024

O SUL GLOBAL COMO PROJETO POPLÍTICO

 



O termo “Sul”[1] apareceu no vocabulário internacional em 1980 [2] e sua associação com o adjetivo “Global” ocorreu a partir do final da Guerra Fria, com a intensificação do discurso e das dinâmicas da Globalização (DIRLIK, 2007). Devido à referência aos países pobres e “em desenvolvimento” em contraste com os mais ricos e desenvolvidos, o Sul Global é herdeiro do conceito de “Terceiro Mundo”, [3] atualmente em desuso. Em ambas denominações, a classificação hierárquica entre os países considera o estágio de desenvolvimento econômico em direção à modernidade como parâmetro principal. Por sua vez, o entendimento de “modernidade” e “desenvolvimento” é fortemente associado à ideia de progressão ou evolução. Entretanto, assim como o Terceiro Mundo, o Sul Global não pode simplesmente ser visto como um conjunto de países não desenvolvidos e não modernos, localizados nas zonas ex-coloniais do globo. Existem diferentes significados para as duas categorias, as quais não devem ser compreendidas em um sentido exclusivamente geográfico ou territorial. Ambos termos foram capazes de projetar uma identidade geopolítica subalterna, reivindicando um diferente caminho de pertencimento no sistema e na sociedade internacional.

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quinta-feira, 11 de abril de 2024

CHINA: O pesadelo do Ocidente

 




A China está a construir muitos veículos eléctricos e painéis solares e quer vendê-los a baixo custo durante uma emergência climática – e devemos acreditar que isto é uma coisa má?

Michael Roberts é economista na cidade de Londres e um  blogueiro prolífico .

Postagem cruzada do blog de Michael Roberts

Artigo completo dessa excelente analise do Michael Roberts você encontra na Brave New Europe.

https://braveneweurope.com/michael-roberts-chinas-unfair-overcapacity


terça-feira, 23 de janeiro de 2024

SÉRIE: ELEIÇÕES AMERICANAS

 


Eleições americanas

Entenda o processo

Primeiro, não há lei eleitoral nos EUA, a legislação eleitoral é definida nos Estados e não são leis fixas. O regulamente eleitoral é fluido, podendo mudar de uma eleição para outra. A estrutura é montada para favorecer sempre a plutocracia no poder.    

Quem pode se candidatar? Qualquer um, para manter a aparência de democracia. Qualquer natural dos EUA pode concorrer à presidência, claro que qualquer um tem chances zero de se eleger, só integrantes da plutocracia, na prática, podem ser eleitos.

Primeira fase: As Primarias

De janeiro a junho cada partido realiza um processo de escolha de candidatos, as primarias, nas quais todos os pretendentes de cada partido concorrem entre si. Ou seja, em cada partido há uma competição para saber quem vai ser o candidato do partido.

Os custos da campanha correm por conta de cada candidato, não há financiamento público de campanha. Dessa forma, cada candidato registra sua intenção na FEC (Federal Election Commission) e se torna apto a angariar fundos.

Ai começam as restrições à participação popular. Você precisa de muita grana para ser candidato. Na última eleição, por exemplo, Biden gastou mais de 900 milhões, quase um bilhão de dólares.

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Imperialismo em análise

The State of Capitalism: Economy, Society, and Hegemony


Resenha do livro de Mathew D. Rose

 

Ao terminar The State of Capitalism: Economy, Society, and Hegemony, do professor de economia da SOAS Costas Lapavitsas e dos outros dez membros do Coletivo de Redação EReNSEP, minha pergunta era: por que não estão sendo escritos mais livros como este? Se você não é economista como eu, mas lê muito sobre economia política, existem inevitavelmente lacunas na informação que se adquire. Isso muitas vezes resulta na incapacidade de conectar os pontos, permitindo reconhecer o quadro geral. Lapavitsas e os seus colegas fornecem uma análise completa sobre a financeirização mundial e o papel dos estados centrais e da hegemonia dos EUA, concentrando-se no período que se segue à Grande Crise Financeira até hoje, mas sem ignorar as origens históricas destes desenvolvimentos.


Devo admitir que tenho uma predileção pelos economistas marxistas por livros como este, que cobrem um tópico tão amplo, pois possuem o foco e a disciplina necessários para realizar uma análise tão substancial. O Estado do Capitalismo, no entanto, não é dogmático, incorporando outras perspectivas heterodoxas. Costas Lapavistas é um analista e escritor perspicaz, o que lhe permite executar um projeto como este com o que parece ser uma grande facilidade. Com as contribuições dos demais membros da EReNSEP, o livro apresenta um grande conhecimento aprofundado em diversos temas.

O livro está dividido em três partes. A primeira, “Emergência de Saúde Imprevista”, que analisa as respostas caóticas dos governos dos principais países à pandemia de Covid, resultado de políticas de saúde pública neoliberais. Isto inclui o regime autoritário resultante dos mesmos governos durante a pandemia e a transformação do desastre num boom económico para a anteriormente tão criticada Grande Indústria Farmacêutica. Como aprenderemos mais adiante neste livro, a crise financeira que se seguiu seria um benefício igual para a indústria financeira nos países centrais. Esta seção compõe apenas cerca de 20 páginas deste trabalho de 360 ​​páginas. Não é claro por que razão foi dada tanta importância a isto, embora a pandemia continue a reaparecer ao longo do livro como uma espécie de metáfora para o desastroso desenvolvimento político, económico e ambiental do capitalismo ocidental.


A segunda parte intitula-se “O Estado e a acumulação interna no centro”, que é dedicada ao desenvolvimento da financeirização nas nações centrais nos últimos quarenta anos. Mudança de financiamento baseado em bancos para financiamento baseado em mercado. A sua avaliação extensiva começa por examinar as causas da Grande Crise Financeira de 2007-2009 e segue o caminho da evolução da acumulação interna e do capital especulativo nas economias centrais no seu rescaldo, o “Interregno”. Durante a Grande Crise Financeira, testemunhámos como os bancos centrais dos principais países se tornaram “negociantes de títulos de última instância” graças ao seu monopólio de moeda fiduciária. Aquela tinha sido principalmente uma crise bancária privada e estes tinham sido supostamente refreados para evitar a repetição de tal evento, limitando a sua especulação por sua própria conta. Em seu lugar, na década seguinte àquela crise, o financiamento paralelo cresceu astronomicamente. Estes eram ainda mais vulneráveis ​​às turbulências financeiras, como o mundo descobriria quando a Covid eclodiu e, mais tarde, a guerra na Ucrânia. Nos EUA, estes não só estavam a ser controlados de forma insignificante pela Fed, como também o seu desenvolvimento estava a ser acelerado. Quando a crise financeira pandémica eclodiu, foi a Fed que veio em socorro do sistema bancário paralelo e das empresas nas quais estes tinham investido pesadamente. Isto significou, como foi o caso na Grande Crise Financeira, uma expansão maciça da dívida pública (sendo atualmente usado como argumento para reintroduzir a austeridade), desta vez muito maior. Os autores acompanham e analisam estes desenvolvimentos, incluindo aspectos da crise pandémica, como a rápida inflação a partir de 2020.

“Estados e Capitais na Economia Mundial” é a terceira e última parte do livro. Isto centra-se principalmente na relação política e económica entre as nações centrais e periféricas, especialmente o papel hegemónico dos Estados Unidos e levanta a questão de até que ponto isto está a ser ameaçado pelas nações periféricas, especialmente a China. O livro aparentemente foi escrito antes do recrudescimento e expansão dos BRICS, mas se enquadra perfeitamente na análise dos autores.


O imperialismo transcendeu da intervenção militar para a intervenção financeira. Enquanto as hegemonias globais anteriores, como a Grã-Bretanha, dependiam da sua marinha para impor a sua predominância, a única hegemonia de hoje, os EUA, fá-lo através da sua moeda dominante, embora tenha o poderio militar predominante do mundo, se necessário. Isto foi reforçado pelas coligações e instituições multilaterais internacionais que criou para apoiar o seu domínio internacional, como o FMI, o Banco Mundial, a Organização Mundial do Comércio e a NATO. Tudo isto permitiu a expansão da globalização, que desencadeou o seu domínio financeiro internacional, auxiliado pela sua capacidade de ditar “o quadro jurídico, institucional, financeiro e monetário da economia mundial com o objetivo de facilitar a obtenção de lucros, sempre dentro de uma hierarquia de nações centrais e periféricas”. O desenvolvimento orgânico da hegemonia dos EUA é amplamente analisado nesta seção

Esta hegemonia dos EUA está atualmente a ser desafiada, em grande parte devido à ação dos próprios EUA. Não só permitiu e apoiou a ascensão económica da China, que se tornou um sério concorrente geopolítico e económico, mas também o seu congelamento arbitrário das reservas em dólares do banco central russo diminuiu a credibilidade do dólar americano como moeda mundial.

 

Os autores dedicam secções desta parte do livro a “O Desafio Hegemónico Chinês”, “A Doença da Europa” e “A Ecologização do Capitalismo”, o último dos quais trata da destrutividade ambiental inerente ao capitalismo e da tentativa destes mesmos atores lucrarem com a luta contra a crise climática que eles próprios criaram e continuam a perpetrar.

O livro termina com um apelo aos esquerdistas para que desenvolvam um programa político como alternativa ao capital privado, permitindo uma intervenção forte para restaurar não só a justiça social e económica, mas também a democracia.

Publicado originalmente no Brave New Europe


sábado, 13 de janeiro de 2024

CONHEÇA MELHOR O IÊMEN

 


Saná Capital do Iêmen
O golfo de Aden é um golfo situado no mar de Omã, no norte do oceano Índico, entre a Somália, no Chifre da África, e o Iémen, na costa sul da península Arábica. O seu nome provém da cidade de Aden, na extremidade sul da península. O golfo conecta-se, ao norte, com o mar Vermelho, através do estreito de Babelmândebe, com mais de 30 km de largura, e tem o mesmo nome da cidade portuária de Aden, no Iêmen.

 

Historicamente, o golfo de Áden era conhecido como "golfo de Berbera", em alusão à antiga cidade portuária somali, situada na margem sul do golfo, na atual Somalilândia. Todavia o desenvolvimento da cidade de Adem, durante a era colonial, fez com que o nome de "golfo de Aden" prevalecesse sobre a antiga denominação.

Este mar marginal foi formado há cerca de 35 milhões de anos, com a separação das placas tectónicas africana e arábica e faz parte do sistema do grande vale do Rift.

O golfo de Aden é uma via marítima essencial para o petróleo do golfo Pérsico, tornando-o muito importante para a economia mundial. Possui muitas variedades de peixes, corais e outras criaturas marinhas, devido a sua baixa poluição. Os principais portos são Aden (no Iémen), Berbera e Bosaso (ambos na Somália).

 

Ele não é considerado seguro, visto que a Somália que lhe é limítrofe, é um país instável, e o Iêmen não possui forças de segurança suficientes na região. É uma das principais áreas de pirataria mundial, extremamente perigosa para a navegação. Além disso, vários ataques da guerrilha iemenita foram efetuados no golfo, como o do USS Cole.

 

Hutis (al-hutis ou houthis, em alusão ao nome dos seus dirigentes, Hussein Badreddine al-Houthi e seus irmãos) é a denominação mais comum do movimento político-religioso Ansar Allah, (em árabe: 'partidários de Deus') maioritariamente xiita zaidita (embora inclua também sunitas) do noroeste do Iêmen.

 

Hussein Badreddin al-Houthi, líder do grupo, foi morto em setembro de 2004, por forças do exército iemenita. Outros integrantes da liderança houthi, incluindo Ali al-Qatwani, Abu Haider, Abbas Aidah e Yousuf al-Madani (um genro de Hussein al-Houthi) também foram mortos pelas forças governamentais iemenitas.]

 

Em 2014, apoderaram-se de uma grande parte do país, incluindo a capital Saná. Em março de 2015, a Arábia Saudita criou uma coligação militar composta por cerca de quinze países, entre os quais os Emirados Árabes Unidos e o Egito, para derrotar os Houthis e repor no poder o governo do Presidente exilado Abd Rabbuh Mansur Al-Hadi. Os Houthis mantiveram o controlo do antigo Iémen do Norte.

Parte do grupo tem sido referida como um "poderoso clã", denominado Ash-Shabab al-Mu'min ( em português, Jovens Crentes) .

 

A seguir um texto sobre a história da divisão política do Iêmen publicado originalmente no site https://www.doisniveis.com/oriente-medio/iemen-a-historia-de-um-pais-dividido/.

 

Trata-se de um texto descritivo e que vem bem a propósito do nosso blog.

 

Para um entendimento mais analítico ouça nosso podcast em

 https://podcasters.spotify.com/pod/show/isaiasalmeida


terça-feira, 9 de janeiro de 2024

GUERRA NA UCRÂNIA: IMPLICAÇÕES

 


GUERRA NA UCRÂNIA

 POR: ISAIAS ALMEIDA*

RESUMO

 

De dezembro de 2021 a janeiro de 2022, a Rússia tentou forçar uma negociação com o Ocidente para resolver a questão do armamento constante da Ucrânia, argumentando que isso colocava em risco a segurança da Rússia. Isso ocorreu depois de a Ucrânia, por instigação do Ocidente, continuar a se armar e atacando as regiões de maioria russa dentro da própria Ucrânia. Estimativas da ONU dão conta de 10 mil mortos nesses ataques desde 2014, quando um golpe na Ucrânia destituiu um presidente pró Rússia  colocando em seu lugar um presidente pró Ocidente. Na época, Odessa foi duramente castigada por resistir ao golpe e a Crimeia, depois de um plebiscito, decidiu ficar com a Rússia.

Houve uma frenética insistência Russa, inclusive com a divulgação, que a mídia Ocidental fez questão de ignorar, de documentos enviados a Washington pela chancelaria russa, pedindo uma rodada de negociações para evitar o pior.

Diante das negativas do Ocidente a Rússia foi forçada a entrar na Ucrânia para proteger o Dombas, região de maioria Russa. Assim, em fevereiro de 2022, tropas russas entraram em Donetsk, Karkov e outras regiões, o exército russo avançou até perto de Kiev, capital da Ucrânia. A essa altura a Rússia ainda queria evitar a guerra, já que na visão dos russos trata-se de uma guerra civil, são povos eslavos, com raízes no império russo.

Em março de 2022, a Rússia busca negociações para evitar a continuação das hostilidades, mas uma ação efetiva de Boris Johnson e dos EUA frustram as tentativas de negociação. Assim começa a guerra.

A Rússia invade os territórios e vários são anexados, mas a Ucrânia devidamente armada e treinada pelo Ocidente reage, reconquistam pequenas áreas, mas não detém o avanço russo.

Nesse ponto é preciso esclarecer, o Ocidente apostou nesse conflito com a esperança de quebrar a resistência russa à uma integração subordinada aos interesses da OTAN e dos EUA. Não funcionou.

Vejamos os objetivos do Ocidente:

- Desgastar a capacidade militar russa;

- Destruir a economia russa através de pesadas sansões;

- Criar uma crise interna de tal ordem que levasse a queda de Wladimir Putin.

Bem, nenhum dos três objetivos foram alcançados.

A indústria militar russa se reestruturou mais rápido do que o previsto, além de ter em alguns campos, uma clara vantagem tecnológica em relação ao Ocidente.

As sansões contra a economia russa provocou dois efeitos: levou a Rússia a aumentar seu comércio com Oriente e a Ásia, graças as suas imensas reservas de gás e petróleo e produtos agrícolas e, uma economia que se mostrou bastante resiliente aos boicotes ocidentais, além de ter capacidade de substituição de importações acima do esperando no Ocidente.

Acordos de longo prazo foram assinados entre Rússia e China e entre Rússia e Índia, uma maior aproximação com o Irã e a Coreia do Norte, garantiram a Rússia inclusive acesso a mais armamentos.

Enquanto as economias da Zona do euro despencam a Rússia vai ter crescimento. Asa previsões desse ano para o ano 2023 são de 2,8 para Rússia e 0,6 para a zona do euro

Outro efeito das sanções foi provocar, acelerar a crise na Europa A questão habitacional se tornou crônica. Na década de 1970 os europeus gastavam em média 1/5 do salário com aluguel, hoje pode variar de 50 a 70%, a solução para muitos tem sido se mudar para longe dos centros urbanos e vivenciar o que os trabalhadores do mundo em desenvolvimento vivenciam, ter que passar horas no transporte para o trabalho. Para o europeu é uma experiência nova.  

A destruição dos Nortstream, os grandes gasodutos partindo da Rússia com destino ao resto da Europa, orquestrada pelos EUA, colocou a Europa numa situação crítica, tendo que pagar aos americanos um valor até 7 vezes maior que o oferecido pelos russos. A classe trabalhadores nesses países é quem está sofrendo as consequências dessa estupidez.

Quanto a crise interna na Rússia com a derrubada de Putin, também não correu como previsto nos sonhos molhados dos otanicista e atlanticista.

Putin enfrentou uma tentativa de motim, organizada por Prigozhin, o homem do PMC Wagner, empresa privada militar, importante na conquista de Barkmut, o motim foi facilmente debelado e Prigozhin acabou morto. O episódio reforçou a autoridade de Putin e ao que tudo indica, uniu ainda mais o país.   

No terreno militar as coisas não vão nada bem para as forças Ocidentais. Em julho de 2023 foi anunciada, com pompa e circunstância, uma contraofensiva ucraniana que poria a Rússia de joelhos. Nós estamos em janeiro e, nada ainda.

A tal contraofensiva se deparou com uma bem armada defesa Rússia em toda a linha de contato. O exército ucraniano se viu preso em um moedor de carne em Barkhmut, (Artemovsk em russo). Depois de pesadas perdas em homens e equipamentos por parte dos ucranianos, a Rússia tomou Barkhmut, e agora mais recentemente conquistou Marinka e avança para Adveevka.

A questão militar será objeto de um boletim a parte.

Vamos tratar das implicações desse conflito. A brutal ofensiva ocidental em termos de sanções provocou vertigens no sul global, muitos países começaram a raciocinar da seguinte forma. Se um país desagrada ao império, eles simplesmente tomam todo o seu dinheiro? É assim que a banda toca?

Ah mais isso é com a Rússia. Acontece que a Rússia é uma potência nuclear, se faz isso com a Rússia, o que não fará conosco? Veja a Venezuela, foi literalmente roubada. Ai já viu, um monte de gente fez fila nas portas dos BRICS.

2023 marca um momento em que o grito de liberdade se transformou na seguinte expressão: Desdolarização. Resultado, a 20 anos atrás 70% das transações internacionais entre países eram feitas em dólar, hoje está em 50%. Só não caiu mais ainda por que a China tem zilhões de ativos em dólar, mas tanto China quanto outros países vêm diminuindo sua participação na farra que os EUA fazem com sua moeda.   

Os BRICS tomaram um novo folego ao serem vistos cada vez mais com uma alternativa ao ”mundo baseado em regras do Ocidente”, as regras deles, para benefício deles claro.

Como está cada vez mais evidente que a guerra na Ucrânia não vai dar os frutos pretendidos o Ocidente se volta cada vez mais para a crise no Oriente Médio, para além do genocídio em Gaza, está a questão de controlar o Oriente. Durante muito tempo os EUA nadaram de braçada na região, manietando os conflitos regionais a seu bel prazer.

Um dos atos mais perversos foi o ataque ao Iraque para que este se pusesse sob seu controle. Fracassou na medida em que, mesmo derrubando Saddam com toda sorte de mentiras, não conseguiu estabelecer um controle efetivo da região. O Iraque, pós invasão, se tornou uma terra arrasada com altas no custo de vida, parte da população na pobreza quase absoluta, e nada de reconstrução do país, muito menos da sua economia. Resultado, o Iraque está cada vez mais próximo da China e da Rússia, com o atual governo trabalhando ativamente para se livrar de uma vez por todas, da presença militar americana.

O Afeganistão vivou um atoleiro do qual os EUA saíram com o rabo entre as pernas, e gente pendurada nos aviões.

A Síria foi destruída por puro capricho, sem nenhuma necessidade, sem nenhum ganho visível, para o povo sírio certamente não, está sendo salva pela Rússia, que está ajudando o país a lutar contra terroristas manietados pelos EUA.

Enfim onde o império colocou suas botas, não cresceu prosperidade, não melhorou a vida das pessoas, nem ele conseguiu se estabelecer de forma consistente.

A bola da vez é a Palestina e, logo ali na esquina, Taiwan.      

                

 *Professor aposentado das redes públicas e privadas. Especialista em Historia do Brasil. 

 

Guerra EUA/Israel contra o Irã

  O jogo dos trezentos erros   O New York Times publicou um relatório afirmando que Trump foi informado pelo Mossad de que um ataque a...