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terça-feira, 3 de março de 2026

Entenda o Irã. Parte 1


 O Irã é um país estratégico em vários níveis. Se reparar no mapa, você notará que se atravessar o Afeganistão chegará à China. Se você atravessar o Azerbaijão e a Geórgia, chegará à Rússia. Do ponto de vista militar isso é muito sério. Misseis e bases aéreas podem fazer estragos nos dois países.

Agora Trump voltou a ameaçar o Irã. Essa ameaça agride ao Irã , a Rússia e a China. Na pratica, trata-se de manter incomodado os principais adversários do império. Argumento há bastante tempo que , deixado em "banho marinho" o mundo caminhar tranquilamente para uma mudança do eixo econômico do Ocidente para o Oriente. Acontece que mudanças de tal magnitude na história humana nunca foram pacificas, nenhum império caiu sem resistências. Os realistas argumentam que não existe um governo global ao qual todo mundo se submeta, sendo assim as relações entre as nações é uma luta intensa pelo poder, na qual os Estados sempre agirão no sentido de otimizar a satisfação dos seus interesses em detrimento dos outros Estados, logo, os atritos são inevitáveis, a menos que se reconheçam espaços de atuação previamente acordados, mesmo ai com a possibilidade de confrontos em um ou outro momento.

Voltando ao Irã, trata-se, portanto, de evitar que o Irã se desenvolva ainda mais e ao mesmo tempo ampliar as possibilidades de ataque à Rússia e à China.

Nos sonhos molhados dos Israelenses e EUA, o Irã deverá ser derrotado e e dividido em pelos pelos quatro estados menores e rivais entre si. A rivalidade é importante porque facilita o controle e a manipulação dessas regiões.

 

OS DESAFIOS DA INVASÃO

 

O Irã é uma nação com 90/93 milhões de habitantes, é um país orgulhoso de sua cultura, de sua independência. Tem muita resiliência na luta anti-imperialista, no combate ao Estado sionista em Israel. Não contra o povo judeu. Pelo contrário, existe no Irã uma comunidade judaica que vive em perfeita harmonia com o Estado iraniano, sem perseguições e coisas do tipo.

O país é tão cioso de sua independência que tanto Rússia quanto a China tentaram aprofundar a cooperação e alianças. Só depois da Guerra dos 12 dias, aliás, durante os ataques, o Parlamento Iraniano ratificou um acordo de cooperação estratégica com a Rússia, mesmo assim não aceitou a proposta russa de um acordo de apoio militar  nos moldes do que a Rússia tem com a Coreia do Norte. É claro depois da Guerra dos 12 dias estreitou sua cooperação militar com China e Rússia, mas ainda se recusa a abrir mão de um fio de cabelo de sua soberania.

Não seria nada fácil dominar um país assim

 

AS LICÕES

 A Guerra dos 12 dias

As primeiras 24h. Fiquei boquiaberto olhando aquelas imagens dos primeiros ataques israelenses. Aviões sobrevoando livremente o espaço aéreo iraniano, como assim? Onde estão as defesas aéreas?  

Nos dias seguintes a surpresa. O Irã se refez rapidamente dos primeiros ataques e passou à ofensiva. No quarto dia já estava claro que o tal Domo de Ferro não passava de uma peneira de palha. O Irã iniciou um ataque maciço de drones e misseis mais antigos, sobrecarregando as defesas israelenses, depois passou a usar seus misseis mais modernos de forma mais contida, o suficiente para intimidar Israel que recorreu a Rússia e aos EUA para conter o Irã.

Muita gente no Irã não queria um cessar fogo, achavam que  tinha chagada a hora de esmagar Israel. Mas a liderança iraniana se conteve e , na minha opinião, preferiu um acordo de cessar fogo com os EUA. 

Assim a Guerra dos 12 dias deixou como lição principal o seguinte. Sim o Irã tem capacidade militar para destruir Israel , mas potencialmente seria destruído pelos EUA. Criou-se um impasse.

 

OS PROTESTOS E A NOVA OFENSIVA IMPERIALISTA.

 

Os Estados Unidos orquestraram uma crise econômica no Irã. Um ataque bem planejado a moeda levou a uma absurda desvalorização e ao Rial(moeda iraniana) caiu abruptamente.

O cálculo era simples, a queda da moeda levaria a protestos e revolta social. Claro tudo bem azeitado pelos ativos da CIA, do MI6 e do Mossad. Em meio a protestos legítimos de parcelas da sociedade apareceram pessoas armadas atirando tanto em policiais como em civis na esperança de que as coisas evoluíssem para um conflito armado generalizado.

Grupos armados formados por radicais anti governo, de diversas etnias, treinados e alimentados pelos suspeitos de sempre deveriam espalhar o clima de conflito eventualmente levando a queda do governo.

Falhas: 1. No Irã é proibido possuir armas, logo não eram civis normais armados; 2 o bloqueio da internet e dos satélites starlinks, com ajuda provavelmente da Rússia e da China.

O corte da internet e dos satélites impediu a coordenação dos grupos, eles agem sozinhos cada um do seu lado, o suspeito de sempre fornecia a coordenação do ataque. Sem direcionamento os grupos foram rapidamente dissolvidos e/ou abatidos.

Falha 2. Supor que a sociedade iraniana racharia facilmente, ignorando o fato de que a República Islâmica do Irã é uma Republica estruturada, consolidada. Com toda a herança dos persas, uma civilização de pelo menos 5.000 mil anos. Você não destrói algo assim facilmente

       Assim terminou a aventura de Israel dos EUA na tentativa de derrubar o governo iraniano.

Fiz esse texto antes da guerra, achei útil publica-lo mesmo agora onde já enfrentamentos a realidade da guerra de agressão, não provocada, de escolha, dos EUA/Israel mais uma vez tentando derrubar o governo iraniano.

Vamos ver como a guerra se desenrola e se meu raciocínio sobre o Estado iraniano e as implicações dessa guerra estavam corretas. 

Entenda o Irã. Parte 1

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