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quarta-feira, 25 de março de 2026

Guerra EUA/Israel contra o Irã

 

O jogo dos trezentos erros

 

O New York Times publicou um relatório afirmando que Trump foi informado pelo Mossad de que um ataque ao Irã e a decapitação de Khamenei (o pai), levaria a uma rebelião dentro do Irã e a queda do governo, essa foi a informação que Trump recebeu. Nenhum de seus assessores contestou essa informação. Todos concordaram que um ataque de força dos EUA destruiria o governo do Irã.

Claramente houve uma subestimação das capacidades do Irã e uma superestimação das reais capacidades dos EUA de realizar tal ataque. O relatório claro, vai numa linha de procurar os culpados pela situação atual. Na percepção do jornal os EUA perderam a guerra, a preço de hoje, e direciona a culpa para Israel.

O Global Insight Journal publicou o relatório de um centro de um think tank que dá conta das condições das tropas estadunidenses. Segundo o estudo, o moral da tropa está em seu nível mais baixo, com o número dos pedidos por impedimento de consciência tendo subido 1000% nos últimos dias. Dentre os motivos para o desanimo dos soldados estão: a falta de clareza dos objetivos da guerra; o massacre de crianças no primeiro ataque, a situação do porta aviões Gerald Ford, onde um incêndio “misterioso” não está claro para os soldados. Houve um ataque iraniano ou, trata-se de um motim?     

Segundo o estudo, muitos membros das forças armadas estão se questionando porque seguir as ordens de Netanyahu em vez de defende o seu próprio pais. Junte-se a isso a incapacidade de o Pentágono defender os ativos estadunidenses na região do conflito. Assim o moral da tropa está se degradando cada vez mais.

A perspectiva de arriscar a vida numa operação mal planejada, sem clareza dos reais motivos, segundo um veterano encarregado de treinamento das tropas, está fazendo com que os soldados se sintam desmoralizados.

 A base MAGA está rachando. Figuras fundamentais como Marjorie Taylor Green, Tucker Carlson e outros tem sido muito criticas da guerra. Segundo pesquisas 70% da base MAGA é favorável ao fim imediato da guerra.

Por fim temos a presunção de que os aliados da OTAN viriam automaticamente para o apoio efetivo a guerra, aqui também o governo Trump calculou mal. As reações são diversas, desde um apoio verbal envergonhado, até posições abertamente contrarias como a da Espanha.   

 

domingo, 15 de março de 2026

Entenda o Irã PARTE 3

 Entenda o Irã PARTE 3

 

Tática vence batalhas, Estratégia vence guerras.

Coronel Douglas MacGregor

 

Aiatolá Mojtaba Khamenei, novo líder do Irã
Segundo o coronel MacGregor os EUA não possuem uma estratégia clara sobre o que fazer no Irã. A tática inicial consistiu em ataques de estilo choque e pavor atacando escolas de crianças matando 165, depois disso já atacou mais duas escolas e uma quadra de vôlei matando os jogadores. Também atacaram um hospital. Essa é uma tática antiga da aviação dos Estados Unidos, atacar alvos civis para provocar terror e revolta. Detalhe: até hoje não houve uma situação em que bombardeios aéreos provocasse uma mudança de regime em parte alguma, mas eles insistem.

O cálculo estado-unidense era que os bombardeios ajudariam a provocar uma revolta popular e, com grupos insurgentes inflando a revolta, haveria uma derrubada do governo. O fato de os EUA ficarem surpresos com o fracasso dessa tentativa demonstra que o coronel MacGregor tem razão, faltou uma estratégia de guerra. Agora trata-se de desenvolver uma nova abordagem da questão, até porque a resposta iraniana surpreendeu o Ocidente como um todo, não só pela proposta, mas pela efetividade.

 

 

UMA GUERRA DE SOBREVIVÊNCIA      

 

Os EUA se prepararam para uma guerra de curto prazo, rápida e mortal para decapitar a liderança e derrubar o governo iraniano.

Os iranianos, pelo contrário, vem se preparando a muito, para uma guerra de atrito, de longa duração. E, sua cartada inicial foi genial.

Em vez de centrar fogo em Israel, o Irã se preparou e vinha se preparando para uma guerra prolongada com os EUA, onde Israel é apenas mais um item.

Vejamos. O ataque a infraestrutura dos EUA ao redor de si foi muito bem executado. As estruturas de radar nos diversos países do golfo foram completamente destruídas. Sistemas bilionários de radar que vigiavam, inclusive a Rússia, foram destroçados eficientemente pelos drones e misseis iranianos.

O Irã tem uma tecnologia e uma indústria de armamentos subestimada pelo Ocidente. Desde a guerra dos 12 dias, o Irã vem afirmando: Temos muitas armas, temos armas que não usamos e temos capacidade de fabricação.

Os ataques precisos a refinarias, bases dos EUA, fabricas de munição, indicam uma boa capacidade de obter informações, trabalhar essas informações e direcionar ataques a alvos precisos.

Intimidou meio mundo no entorno de si, os Estados do Golfo acusaram rapidamente o golpe. A sede da 5ª frota dos EUA foi totalmente destruída. Os EUA não revelam, mas o número de militares dos Estados Unidos mortos beira os 700 nessa primeira semana de combates. Aviões F15 estão sendo abatidos, o doce passeio pelos céus do Irã está saindo caro.

A presença dos Estados Unidos no Oeste da Ásia está derretendo a olhos vistos e para espanto de muitos.

 

A MANIPULAÇÃO DA MIDIA

Claro a imprensa da classe Epstein tem omitido tudo que pode. Israel iniciou no fim da semana começou uma tática que consiste em mostrar, para negar que censura, algumas imagens de ataque a alvos civis. Felizmente, ninguém esta se comovendo com essa manobra.    

Os estenógrafos dos jornalões no Ocidente estão empenhados em mostrar a “crueza do Irã” atacando os pobres coitados do Golfo Persico, aquele bando de árabes perfumados, montados na subserviência aos interesses dos EUA. Apresentam o Irã como Estado agressor, omitindo o fato de que o Irã, uma potência não nuclear está sendo atacada por duas potências nucleares, sem provocação, em pleno processo de negociação.  

 

AS BOTAS NO TERRENO

 

Diante da impossibilidade, pelo menos até aqui, de derrubar o governo do Irã, uma solução pensada é por tropas no terreno e invadir o Irã por terra. Aqui tem duas possibilidades: usar os curdos para invadir o território iraniano; usar os azeres para invadir o Irã.

Problemas. Os curdos foram abandonados pelos EUA na Síria e até agora, não morderam essa isca. O Azerbaijão pode cair na tentação, há uma presença azere no Irã.   

Há uma possiblidade de os curdos virem a aceitar: a possibilidade de adquirir muitas armas e dinheiro, isso pode se tornar tentador para eles. Podem ceder também a vagas promessas de criação de um estado curdo. Aí o problema seria a Turquia que simplesmente não permitiria.

Quanto ao Azerbaijão seria uma jogada arriscada, Aliev vem flertando com o Ocidente há muito tempo, mas isso pode acabar muito mal, a derrota dos azeres pode resultar numa rota direta por terra, Irã-Rússia.

Outra solução ainda seria envolver o Baluchistão bem na fronteira leste do Irã, ai a questão é complicada porque o Paquistão tem relação com os EUA, mas também tem boas relações com a China e o próprio Irã.

Finalmente a solução para ter botas no terreno seria mover o exército dos Estados Unidos para a área. 

 Bom aqui também há problemas, o efetivo do exército dos Estados Unidos hoje está em torno de 450.000 homens juntando tudo. O efetivo do Irã está em torno de 500.000 homens.

Para ser efetiva uma invasão por terra teria que ter pelo menos uma vantagem de 3 x 1, ou seja, três atacantes para cada defensor, idealmente 6 x 1. Então, no mínimo, seria necessário 1.500.000 de soldados para uma invasão.

Mobilizar esse efetivo numa sociedade muito dividida, uma guerra impopular e uma liderança frágil é uma tarefa muito difícil de ser executada.

Aguardemos. 

terça-feira, 3 de março de 2026

Entenda o Irã. Parte 1


 O Irã é um país estratégico em vários níveis. Se reparar no mapa, você notará que se atravessar o Afeganistão chegará à China. Se você atravessar o Azerbaijão e a Geórgia, chegará à Rússia. Do ponto de vista militar isso é muito sério. Misseis e bases aéreas podem fazer estragos nos dois países.

Agora Trump voltou a ameaçar o Irã. Essa ameaça agride ao Irã , a Rússia e a China. Na pratica, trata-se de manter incomodado os principais adversários do império. Argumento há bastante tempo que , deixado em "banho marinho" o mundo caminhar tranquilamente para uma mudança do eixo econômico do Ocidente para o Oriente. Acontece que mudanças de tal magnitude na história humana nunca foram pacificas, nenhum império caiu sem resistências. Os realistas argumentam que não existe um governo global ao qual todo mundo se submeta, sendo assim as relações entre as nações é uma luta intensa pelo poder, na qual os Estados sempre agirão no sentido de otimizar a satisfação dos seus interesses em detrimento dos outros Estados, logo, os atritos são inevitáveis, a menos que se reconheçam espaços de atuação previamente acordados, mesmo ai com a possibilidade de confrontos em um ou outro momento.

Voltando ao Irã, trata-se, portanto, de evitar que o Irã se desenvolva ainda mais e ao mesmo tempo ampliar as possibilidades de ataque à Rússia e à China.

Nos sonhos molhados dos Israelenses e EUA, o Irã deverá ser derrotado e e dividido em pelos pelos quatro estados menores e rivais entre si. A rivalidade é importante porque facilita o controle e a manipulação dessas regiões.

 

OS DESAFIOS DA INVASÃO

 

O Irã é uma nação com 90/93 milhões de habitantes, é um país orgulhoso de sua cultura, de sua independência. Tem muita resiliência na luta anti-imperialista, no combate ao Estado sionista em Israel. Não contra o povo judeu. Pelo contrário, existe no Irã uma comunidade judaica que vive em perfeita harmonia com o Estado iraniano, sem perseguições e coisas do tipo.

O país é tão cioso de sua independência que tanto Rússia quanto a China tentaram aprofundar a cooperação e alianças. Só depois da Guerra dos 12 dias, aliás, durante os ataques, o Parlamento Iraniano ratificou um acordo de cooperação estratégica com a Rússia, mesmo assim não aceitou a proposta russa de um acordo de apoio militar  nos moldes do que a Rússia tem com a Coreia do Norte. É claro depois da Guerra dos 12 dias estreitou sua cooperação militar com China e Rússia, mas ainda se recusa a abrir mão de um fio de cabelo de sua soberania.

Não seria nada fácil dominar um país assim

 

AS LICÕES

 A Guerra dos 12 dias

As primeiras 24h. Fiquei boquiaberto olhando aquelas imagens dos primeiros ataques israelenses. Aviões sobrevoando livremente o espaço aéreo iraniano, como assim? Onde estão as defesas aéreas?  

Nos dias seguintes a surpresa. O Irã se refez rapidamente dos primeiros ataques e passou à ofensiva. No quarto dia já estava claro que o tal Domo de Ferro não passava de uma peneira de palha. O Irã iniciou um ataque maciço de drones e misseis mais antigos, sobrecarregando as defesas israelenses, depois passou a usar seus misseis mais modernos de forma mais contida, o suficiente para intimidar Israel que recorreu a Rússia e aos EUA para conter o Irã.

Muita gente no Irã não queria um cessar fogo, achavam que  tinha chagada a hora de esmagar Israel. Mas a liderança iraniana se conteve e , na minha opinião, preferiu um acordo de cessar fogo com os EUA. 

Assim a Guerra dos 12 dias deixou como lição principal o seguinte. Sim o Irã tem capacidade militar para destruir Israel , mas potencialmente seria destruído pelos EUA. Criou-se um impasse.

 

OS PROTESTOS E A NOVA OFENSIVA IMPERIALISTA.

 

Os Estados Unidos orquestraram uma crise econômica no Irã. Um ataque bem planejado a moeda levou a uma absurda desvalorização e ao Rial(moeda iraniana) caiu abruptamente.

O cálculo era simples, a queda da moeda levaria a protestos e revolta social. Claro tudo bem azeitado pelos ativos da CIA, do MI6 e do Mossad. Em meio a protestos legítimos de parcelas da sociedade apareceram pessoas armadas atirando tanto em policiais como em civis na esperança de que as coisas evoluíssem para um conflito armado generalizado.

Grupos armados formados por radicais anti governo, de diversas etnias, treinados e alimentados pelos suspeitos de sempre deveriam espalhar o clima de conflito eventualmente levando a queda do governo.

Falhas: 1. No Irã é proibido possuir armas, logo não eram civis normais armados; 2 o bloqueio da internet e dos satélites starlinks, com ajuda provavelmente da Rússia e da China.

O corte da internet e dos satélites impediu a coordenação dos grupos, eles agem sozinhos cada um do seu lado, o suspeito de sempre fornecia a coordenação do ataque. Sem direcionamento os grupos foram rapidamente dissolvidos e/ou abatidos.

Falha 2. Supor que a sociedade iraniana racharia facilmente, ignorando o fato de que a República Islâmica do Irã é uma Republica estruturada, consolidada. Com toda a herança dos persas, uma civilização de pelo menos 5.000 mil anos. Você não destrói algo assim facilmente

       Assim terminou a aventura de Israel dos EUA na tentativa de derrubar o governo iraniano.

Fiz esse texto antes da guerra, achei útil publica-lo mesmo agora onde já enfrentamentos a realidade da guerra de agressão, não provocada, de escolha, dos EUA/Israel mais uma vez tentando derrubar o governo iraniano.

Vamos ver como a guerra se desenrola e se meu raciocínio sobre o Estado iraniano e as implicações dessa guerra estavam corretas. 

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

 

Alastair Crooke – Esperando por imagens de submissão abjeta que não aparecem


A questão é que, nos círculos de Trump de hoje, não só não há medo da guerra, como também existe uma ilusão infundada do poder militar americano. Hegseth disse: “ Somos o exército mais poderoso da história do planeta, sem exceção. Ninguém mais pode sequer chegar perto disso ”. Ao que Trump acrescenta: “ Nosso mercado [também] é o maior do mundo – ninguém pode viver sem ele” .

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Guerra EUA/Israel contra o Irã

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