Entenda o Irã PARTE 3
Tática
vence batalhas, Estratégia vence guerras.
Coronel
Douglas MacGregor
Segundo
o coronel MacGregor os EUA não possuem uma estratégia clara sobre o que fazer
no Irã. A tática inicial consistiu em ataques de estilo choque e pavor atacando escolas de crianças matando 165, depois disso já atacou mais duas
escolas e uma quadra de vôlei matando os jogadores. Também atacaram um
hospital. Essa é uma tática antiga da aviação dos Estados Unidos, atacar alvos
civis para provocar terror e revolta. Detalhe: até hoje não houve uma situação
em que bombardeios aéreos provocasse uma mudança de regime em parte alguma, mas
eles insistem.
Aiatolá Mojtaba Khamenei, novo líder do Irã
O
cálculo estado-unidense era que os bombardeios ajudariam a provocar uma revolta
popular e, com grupos insurgentes inflando a revolta, haveria uma derrubada do
governo. O fato de os EUA ficarem surpresos com o fracasso dessa tentativa demonstra que o coronel MacGregor tem razão, faltou uma estratégia de guerra.
Agora trata-se de desenvolver uma nova abordagem da questão, até porque a
resposta iraniana surpreendeu o Ocidente como um todo, não só pela proposta, mas
pela efetividade.
UMA GUERRA DE SOBREVIVÊNCIA
Os EUA se prepararam para uma
guerra de curto prazo, rápida e mortal para decapitar a liderança e derrubar o
governo iraniano.
Os iranianos, pelo contrário, vem se preparando a muito, para uma guerra de atrito, de longa duração. E, sua
cartada inicial foi genial.
Em vez de centrar fogo em
Israel, o Irã se preparou e vinha se preparando para uma guerra prolongada com
os EUA, onde Israel é apenas mais um item.
Vejamos. O ataque a
infraestrutura dos EUA ao redor de si foi muito bem executado. As estruturas de
radar nos diversos países do golfo foram completamente destruídas. Sistemas
bilionários de radar que vigiavam, inclusive a Rússia, foram destroçados
eficientemente pelos drones e misseis iranianos.
O Irã tem uma tecnologia e uma
indústria de armamentos subestimada pelo Ocidente. Desde a guerra dos 12 dias,
o Irã vem afirmando: Temos muitas armas, temos armas que não usamos e temos
capacidade de fabricação.
Os ataques precisos a
refinarias, bases dos EUA, fabricas de munição, indicam uma boa capacidade de
obter informações, trabalhar essas informações e direcionar ataques a alvos
precisos.
Intimidou meio mundo no
entorno de si, os Estados do Golfo acusaram rapidamente o golpe. A sede da 5ª
frota dos EUA foi totalmente destruída. Os EUA não revelam, mas o número de
militares dos Estados Unidos mortos beira os 700 nessa primeira semana de
combates. Aviões F15 estão sendo abatidos, o doce passeio pelos céus do Irã
está saindo caro.
A presença dos Estados Unidos no
Oeste da Ásia está derretendo a olhos vistos e para espanto de muitos.
A MANIPULAÇÃO DA MIDIA
Claro a imprensa da classe
Epstein tem omitido tudo que pode. Israel iniciou no fim da semana começou uma
tática que consiste em mostrar, para negar que censura, algumas imagens de
ataque a alvos civis. Felizmente, ninguém esta se comovendo com essa
manobra.
Os estenógrafos dos jornalões
no Ocidente estão empenhados em mostrar a “crueza do Irã” atacando os pobres
coitados do Golfo Persico, aquele bando de árabes perfumados, montados na
subserviência aos interesses dos EUA. Apresentam o Irã como Estado agressor,
omitindo o fato de que o Irã, uma potência não nuclear está sendo atacada por
duas potências nucleares, sem provocação, em pleno processo de negociação.
AS BOTAS NO TERRENO
Diante da impossibilidade,
pelo menos até aqui, de derrubar o governo do Irã, uma solução pensada é por
tropas no terreno e invadir o Irã por terra. Aqui tem duas possibilidades: usar
os curdos para invadir o território iraniano; usar os azeres para invadir o
Irã.
Problemas. Os curdos foram
abandonados pelos EUA na Síria e até agora, não morderam essa isca. O
Azerbaijão pode cair na tentação, há uma presença azere no Irã.
Há uma possiblidade de os
curdos virem a aceitar: a possibilidade de adquirir muitas armas e dinheiro,
isso pode se tornar tentador para eles. Podem ceder também a vagas promessas de
criação de um estado curdo. Aí o problema seria a Turquia que simplesmente não permitiria.
Quanto ao Azerbaijão seria uma
jogada arriscada, Aliev vem flertando com o Ocidente há muito tempo, mas isso
pode acabar muito mal, a derrota dos azeres pode resultar numa rota direta por
terra, Irã-Rússia.
Outra solução ainda seria
envolver o Baluchistão bem na fronteira leste do Irã, ai a questão é complicada
porque o Paquistão tem relação com os EUA, mas também tem boas relações com a
China e o próprio Irã.
Finalmente a solução para ter
botas no terreno seria mover o exército dos Estados Unidos para a área.
Bom aqui também há problemas, o efetivo do exército
dos Estados Unidos hoje está em torno de 450.000 homens juntando tudo. O efetivo
do Irã está em torno de 500.000 homens.
Para ser efetiva uma invasão
por terra teria que ter pelo menos uma vantagem de 3 x 1, ou seja, três atacantes
para cada defensor, idealmente 6 x 1. Então, no mínimo, seria necessário 1.500.000
de soldados para uma invasão.
Mobilizar esse efetivo numa
sociedade muito dividida, uma guerra impopular e uma liderança frágil é uma
tarefa muito difícil de ser executada.
Aguardemos.
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