O Irã é um país estratégico em vários níveis. Se reparar no mapa, você notará que se atravessar o Afeganistão chegará à China. Se você atravessar o Azerbaijão e a Geórgia, chegará à Rússia. Do ponto de vista militar isso é muito sério. Misseis e bases aéreas podem fazer estragos nos dois países.
Agora Trump voltou a ameaçar o
Irã. Essa ameaça agride ao Irã , a Rússia e a China. Na pratica, trata-se de
manter incomodado os principais adversários do império. Argumento há bastante
tempo que , deixado em "banho marinho" o mundo caminhar
tranquilamente para uma mudança do eixo econômico do Ocidente para o Oriente.
Acontece que mudanças de tal magnitude na história humana nunca foram
pacificas, nenhum império caiu sem resistências. Os realistas argumentam que não
existe um governo global ao qual todo mundo se submeta, sendo assim as relações
entre as nações é uma luta intensa pelo poder, na qual os Estados sempre agirão
no sentido de otimizar a satisfação dos seus interesses em detrimento dos
outros Estados, logo, os atritos são inevitáveis, a menos que se reconheçam
espaços de atuação previamente acordados, mesmo ai com a possibilidade de
confrontos em um ou outro momento.
Voltando ao Irã, trata-se,
portanto, de evitar que o Irã se desenvolva ainda mais e ao mesmo tempo ampliar
as possibilidades de ataque à Rússia e à China.
Nos sonhos molhados dos
Israelenses e EUA, o Irã deverá ser derrotado e e dividido em pelos pelos
quatro estados menores e rivais entre si. A rivalidade é importante porque
facilita o controle e a manipulação dessas regiões.
OS DESAFIOS DA INVASÃO
O Irã é uma nação com 90/93
milhões de habitantes, é um país orgulhoso de sua cultura, de sua
independência. Tem muita resiliência na luta anti-imperialista, no combate ao
Estado sionista em Israel. Não contra o povo judeu. Pelo contrário, existe no
Irã uma comunidade judaica que vive em perfeita harmonia com o Estado iraniano,
sem perseguições e coisas do tipo.
O país é tão cioso de sua
independência que tanto Rússia quanto a China tentaram aprofundar a cooperação
e alianças. Só depois da Guerra dos 12 dias, aliás, durante os ataques, o
Parlamento Iraniano ratificou um acordo de cooperação estratégica com a Rússia,
mesmo assim não aceitou a proposta russa de um acordo de apoio militar nos moldes do que a Rússia tem com a Coreia
do Norte. É claro depois da Guerra dos 12 dias estreitou sua cooperação militar
com China e Rússia, mas ainda se recusa a abrir mão de um fio de cabelo de sua
soberania.
Não seria nada fácil dominar
um país assim
AS LICÕES
A Guerra dos 12 dias
As primeiras 24h. Fiquei
boquiaberto olhando aquelas imagens dos primeiros ataques israelenses. Aviões
sobrevoando livremente o espaço aéreo iraniano, como assim? Onde estão as
defesas aéreas?
Nos dias seguintes a surpresa.
O Irã se refez rapidamente dos primeiros ataques e passou à ofensiva. No quarto
dia já estava claro que o tal Domo de Ferro não passava de uma peneira de
palha. O Irã iniciou um ataque maciço de drones e misseis mais antigos,
sobrecarregando as defesas israelenses, depois passou a usar seus misseis mais
modernos de forma mais contida, o suficiente para intimidar Israel que recorreu
a Rússia e aos EUA para conter o Irã.
Muita gente no Irã não queria
um cessar fogo, achavam que tinha
chagada a hora de esmagar Israel. Mas a liderança iraniana se conteve e , na
minha opinião, preferiu um acordo de cessar fogo com os EUA.
Assim a Guerra dos 12 dias
deixou como lição principal o seguinte. Sim o Irã tem capacidade militar para
destruir Israel , mas potencialmente seria destruído pelos EUA. Criou-se um
impasse.
OS PROTESTOS E A NOVA OFENSIVA
IMPERIALISTA.
Os Estados Unidos orquestraram
uma crise econômica no Irã. Um ataque bem planejado a moeda levou a uma absurda
desvalorização e ao Rial(moeda iraniana) caiu abruptamente.
O cálculo era simples, a queda
da moeda levaria a protestos e revolta social. Claro tudo bem azeitado pelos
ativos da CIA, do MI6 e do Mossad. Em meio a protestos legítimos de parcelas da
sociedade apareceram pessoas armadas atirando tanto em policiais como em civis
na esperança de que as coisas evoluíssem para um conflito armado generalizado.
Grupos armados formados por
radicais anti governo, de diversas etnias, treinados e alimentados pelos
suspeitos de sempre deveriam espalhar o clima de conflito eventualmente levando
a queda do governo.
Falhas: 1. No Irã é proibido
possuir armas, logo não eram civis normais armados; 2 o bloqueio da internet e
dos satélites starlinks, com ajuda provavelmente da Rússia e da China.
O corte da internet e dos
satélites impediu a coordenação dos grupos, eles agem sozinhos cada um do seu
lado, o suspeito de sempre fornecia a coordenação do ataque. Sem direcionamento
os grupos foram rapidamente dissolvidos e/ou abatidos.
Falha 2. Supor que a sociedade
iraniana racharia facilmente, ignorando o fato de que a República Islâmica do
Irã é uma Republica estruturada, consolidada. Com toda a herança dos persas,
uma civilização de pelo menos 5.000 mil anos. Você não destrói algo assim
facilmente
Assim terminou a aventura de Israel dos
EUA na tentativa de derrubar o governo iraniano.
Fiz esse texto antes da guerra,
achei útil publica-lo mesmo agora onde já enfrentamentos a realidade da guerra
de agressão, não provocada, de escolha, dos EUA/Israel mais uma vez tentando
derrubar o governo iraniano.
Vamos ver
como a guerra se desenrola e se meu raciocínio sobre o Estado iraniano e as
implicações dessa guerra estavam corretas.


