domingo, 15 de março de 2026

Entenda o Irã PARTE 3

 Entenda o Irã PARTE 3

 

Tática vence batalhas, Estratégia vence guerras.

Coronel Douglas MacGregor

 

Aiatolá Mojtaba Khamenei, novo líder do Irã
Segundo o coronel MacGregor os EUA não possuem uma estratégia clara sobre o que fazer no Irã. A tática inicial consistiu em ataques de estilo choque e pavor atacando escolas de crianças matando 165, depois disso já atacou mais duas escolas e uma quadra de vôlei matando os jogadores. Também atacaram um hospital. Essa é uma tática antiga da aviação dos Estados Unidos, atacar alvos civis para provocar terror e revolta. Detalhe: até hoje não houve uma situação em que bombardeios aéreos provocasse uma mudança de regime em parte alguma, mas eles insistem.

O cálculo estado-unidense era que os bombardeios ajudariam a provocar uma revolta popular e, com grupos insurgentes inflando a revolta, haveria uma derrubada do governo. O fato de os EUA ficarem surpresos com o fracasso dessa tentativa demonstra que o coronel MacGregor tem razão, faltou uma estratégia de guerra. Agora trata-se de desenvolver uma nova abordagem da questão, até porque a resposta iraniana surpreendeu o Ocidente como um todo, não só pela proposta, mas pela efetividade.

 

 

UMA GUERRA DE SOBREVIVÊNCIA      

 

Os EUA se prepararam para uma guerra de curto prazo, rápida e mortal para decapitar a liderança e derrubar o governo iraniano.

Os iranianos, pelo contrário, vem se preparando a muito, para uma guerra de atrito, de longa duração. E, sua cartada inicial foi genial.

Em vez de centrar fogo em Israel, o Irã se preparou e vinha se preparando para uma guerra prolongada com os EUA, onde Israel é apenas mais um item.

Vejamos. O ataque a infraestrutura dos EUA ao redor de si foi muito bem executado. As estruturas de radar nos diversos países do golfo foram completamente destruídas. Sistemas bilionários de radar que vigiavam, inclusive a Rússia, foram destroçados eficientemente pelos drones e misseis iranianos.

O Irã tem uma tecnologia e uma indústria de armamentos subestimada pelo Ocidente. Desde a guerra dos 12 dias, o Irã vem afirmando: Temos muitas armas, temos armas que não usamos e temos capacidade de fabricação.

Os ataques precisos a refinarias, bases dos EUA, fabricas de munição, indicam uma boa capacidade de obter informações, trabalhar essas informações e direcionar ataques a alvos precisos.

Intimidou meio mundo no entorno de si, os Estados do Golfo acusaram rapidamente o golpe. A sede da 5ª frota dos EUA foi totalmente destruída. Os EUA não revelam, mas o número de militares dos Estados Unidos mortos beira os 700 nessa primeira semana de combates. Aviões F15 estão sendo abatidos, o doce passeio pelos céus do Irã está saindo caro.

A presença dos Estados Unidos no Oeste da Ásia está derretendo a olhos vistos e para espanto de muitos.

 

A MANIPULAÇÃO DA MIDIA

Claro a imprensa da classe Epstein tem omitido tudo que pode. Israel iniciou no fim da semana começou uma tática que consiste em mostrar, para negar que censura, algumas imagens de ataque a alvos civis. Felizmente, ninguém esta se comovendo com essa manobra.    

Os estenógrafos dos jornalões no Ocidente estão empenhados em mostrar a “crueza do Irã” atacando os pobres coitados do Golfo Persico, aquele bando de árabes perfumados, montados na subserviência aos interesses dos EUA. Apresentam o Irã como Estado agressor, omitindo o fato de que o Irã, uma potência não nuclear está sendo atacada por duas potências nucleares, sem provocação, em pleno processo de negociação.  

 

AS BOTAS NO TERRENO

 

Diante da impossibilidade, pelo menos até aqui, de derrubar o governo do Irã, uma solução pensada é por tropas no terreno e invadir o Irã por terra. Aqui tem duas possibilidades: usar os curdos para invadir o território iraniano; usar os azeres para invadir o Irã.

Problemas. Os curdos foram abandonados pelos EUA na Síria e até agora, não morderam essa isca. O Azerbaijão pode cair na tentação, há uma presença azere no Irã.   

Há uma possiblidade de os curdos virem a aceitar: a possibilidade de adquirir muitas armas e dinheiro, isso pode se tornar tentador para eles. Podem ceder também a vagas promessas de criação de um estado curdo. Aí o problema seria a Turquia que simplesmente não permitiria.

Quanto ao Azerbaijão seria uma jogada arriscada, Aliev vem flertando com o Ocidente há muito tempo, mas isso pode acabar muito mal, a derrota dos azeres pode resultar numa rota direta por terra, Irã-Rússia.

Outra solução ainda seria envolver o Baluchistão bem na fronteira leste do Irã, ai a questão é complicada porque o Paquistão tem relação com os EUA, mas também tem boas relações com a China e o próprio Irã.

Finalmente a solução para ter botas no terreno seria mover o exército dos Estados Unidos para a área. 

 Bom aqui também há problemas, o efetivo do exército dos Estados Unidos hoje está em torno de 450.000 homens juntando tudo. O efetivo do Irã está em torno de 500.000 homens.

Para ser efetiva uma invasão por terra teria que ter pelo menos uma vantagem de 3 x 1, ou seja, três atacantes para cada defensor, idealmente 6 x 1. Então, no mínimo, seria necessário 1.500.000 de soldados para uma invasão.

Mobilizar esse efetivo numa sociedade muito dividida, uma guerra impopular e uma liderança frágil é uma tarefa muito difícil de ser executada.

Aguardemos. 

domingo, 8 de março de 2026

Entenda o Irã PARTE 2

Entenda o Irã PARTE 2

 


UMA GUERRA DE ESCOLHA

Os EUA e Israel, a gangue de pedófobos, estupradores, genocidas, assassinos, iniciaram uma guerra de escolha contra o Irã. Uma guerra de escolha implica que eles precisam destruir o governo iraniano em curto espaço de tempo. De fato, os sionistas no governo Trump o convenceram de que seria realmente uma operação de dias, bombardeios sucessivos e o governo cairia, pois, a população reagiria contra o governo e o derrubaria.

O único funcionário do chefe da gangue que ousou expressar as preocupações de seus colegas foi um general, prontamente demitido, que argumentou: sim, podemos atacar o Irã, mas não podemos controlar os danos, não dispomos de equipamento/munição suficiente para uma guerra de longa duração. Obviamente não era o que o chefe queria ouvir. O general foi demitido, mas suas opiniões “vazaram”, o que contribuiu para baixar a credibilidade de Trump. Cerca de75% da população dos EUA não apoiam a guerra.

No momento recursos de diversos lugares estão sendo redirecionados para o Oriente, misseis localizados na Ásia e na Europa estão sendo transferidos para o teatro da guerra. O problema é a dificuldade de logística dos EUA. Eles não são mais uma nação industrial, isso implica uma dificuldade enorme de produção acelerada e em grande quantidade de misseis e munições. Um forte gargalo esta na fabricação de interceptadores. Outro problema são os custos.

Os drones iranianos mudaram a guerra moderna, trouxeram para o cenário da guerra de atrito uma nova dinâmica. São baratos, descartáveis e eficientes, muito eficientes, como fica claro na guerra Rússia X Ucrânia.

Acontece que, para interceptar um drone de U$ 50.000, os EUA utilizam interceptadores que custam alguns milhões de dólares cada unidade, e, são necessárias várias unidades para drone. Novamente, eis o porquê de o ataque dos EUA ter que ser rápido, os custos são multiplicados por milhões à medida que o tempo passa.

UM ERRO ESTRATÉGICO

O Irã é uma república democrática, a mais estável do Oriente, com eleições regulares para presidente, realizadas a cada 4 anos. A cada 4 anos são também realizadas eleições para o parlamento iraniano. Além dessas uma outra eleição é feita uns três meses depois das eleições parlamentares. Trata-se da eleição para o Colégio de Sábios (88 membros), estudiosos do Islã, de onde se nomeia o Líder Supremo, a autoridade máxima do Islã no país.     

Logo, uma ação de decapitação como a realizada pela gangue de Epstein, só reforçou o papel desempenhando por Khamenei, um líder respeitado por todo o Islã, integro, viveu e morreu coerentemente com sua pregação e sua ação enquanto líder da República.   Não se escondeu, não fugiu do Irã, não se enfiou em algum buraco no país. Estava exposto, no seu escritório, no lugar de sempre. Sua morte foi gloriosa. E, isso o Ocidente não entende porque esta moralmente alguns degraus acima dele. Khamenei foi martirizado e isso é tudo que um fiel islâmico poderia desejar para sua morte, o martírio é uma honra.

Assim o último ato de Khamenei foi um grande foda-se para a gangue de Epstein e um chamado ao povo iraniano, um grande “não se renda”, defendam nossos ideais, defendam cultura e modo de vida.

  

terça-feira, 3 de março de 2026

Entenda o Irã. Parte 1


 O Irã é um país estratégico em vários níveis. Se reparar no mapa, você notará que se atravessar o Afeganistão chegará à China. Se você atravessar o Azerbaijão e a Geórgia, chegará à Rússia. Do ponto de vista militar isso é muito sério. Misseis e bases aéreas podem fazer estragos nos dois países.

Agora Trump voltou a ameaçar o Irã. Essa ameaça agride ao Irã , a Rússia e a China. Na pratica, trata-se de manter incomodado os principais adversários do império. Argumento há bastante tempo que , deixado em "banho marinho" o mundo caminhar tranquilamente para uma mudança do eixo econômico do Ocidente para o Oriente. Acontece que mudanças de tal magnitude na história humana nunca foram pacificas, nenhum império caiu sem resistências. Os realistas argumentam que não existe um governo global ao qual todo mundo se submeta, sendo assim as relações entre as nações é uma luta intensa pelo poder, na qual os Estados sempre agirão no sentido de otimizar a satisfação dos seus interesses em detrimento dos outros Estados, logo, os atritos são inevitáveis, a menos que se reconheçam espaços de atuação previamente acordados, mesmo ai com a possibilidade de confrontos em um ou outro momento.

Voltando ao Irã, trata-se, portanto, de evitar que o Irã se desenvolva ainda mais e ao mesmo tempo ampliar as possibilidades de ataque à Rússia e à China.

Nos sonhos molhados dos Israelenses e EUA, o Irã deverá ser derrotado e e dividido em pelos pelos quatro estados menores e rivais entre si. A rivalidade é importante porque facilita o controle e a manipulação dessas regiões.

 

OS DESAFIOS DA INVASÃO

 

O Irã é uma nação com 90/93 milhões de habitantes, é um país orgulhoso de sua cultura, de sua independência. Tem muita resiliência na luta anti-imperialista, no combate ao Estado sionista em Israel. Não contra o povo judeu. Pelo contrário, existe no Irã uma comunidade judaica que vive em perfeita harmonia com o Estado iraniano, sem perseguições e coisas do tipo.

O país é tão cioso de sua independência que tanto Rússia quanto a China tentaram aprofundar a cooperação e alianças. Só depois da Guerra dos 12 dias, aliás, durante os ataques, o Parlamento Iraniano ratificou um acordo de cooperação estratégica com a Rússia, mesmo assim não aceitou a proposta russa de um acordo de apoio militar  nos moldes do que a Rússia tem com a Coreia do Norte. É claro depois da Guerra dos 12 dias estreitou sua cooperação militar com China e Rússia, mas ainda se recusa a abrir mão de um fio de cabelo de sua soberania.

Não seria nada fácil dominar um país assim

 

AS LICÕES

 A Guerra dos 12 dias

As primeiras 24h. Fiquei boquiaberto olhando aquelas imagens dos primeiros ataques israelenses. Aviões sobrevoando livremente o espaço aéreo iraniano, como assim? Onde estão as defesas aéreas?  

Nos dias seguintes a surpresa. O Irã se refez rapidamente dos primeiros ataques e passou à ofensiva. No quarto dia já estava claro que o tal Domo de Ferro não passava de uma peneira de palha. O Irã iniciou um ataque maciço de drones e misseis mais antigos, sobrecarregando as defesas israelenses, depois passou a usar seus misseis mais modernos de forma mais contida, o suficiente para intimidar Israel que recorreu a Rússia e aos EUA para conter o Irã.

Muita gente no Irã não queria um cessar fogo, achavam que  tinha chagada a hora de esmagar Israel. Mas a liderança iraniana se conteve e , na minha opinião, preferiu um acordo de cessar fogo com os EUA. 

Assim a Guerra dos 12 dias deixou como lição principal o seguinte. Sim o Irã tem capacidade militar para destruir Israel , mas potencialmente seria destruído pelos EUA. Criou-se um impasse.

 

OS PROTESTOS E A NOVA OFENSIVA IMPERIALISTA.

 

Os Estados Unidos orquestraram uma crise econômica no Irã. Um ataque bem planejado a moeda levou a uma absurda desvalorização e ao Rial(moeda iraniana) caiu abruptamente.

O cálculo era simples, a queda da moeda levaria a protestos e revolta social. Claro tudo bem azeitado pelos ativos da CIA, do MI6 e do Mossad. Em meio a protestos legítimos de parcelas da sociedade apareceram pessoas armadas atirando tanto em policiais como em civis na esperança de que as coisas evoluíssem para um conflito armado generalizado.

Grupos armados formados por radicais anti governo, de diversas etnias, treinados e alimentados pelos suspeitos de sempre deveriam espalhar o clima de conflito eventualmente levando a queda do governo.

Falhas: 1. No Irã é proibido possuir armas, logo não eram civis normais armados; 2 o bloqueio da internet e dos satélites starlinks, com ajuda provavelmente da Rússia e da China.

O corte da internet e dos satélites impediu a coordenação dos grupos, eles agem sozinhos cada um do seu lado, o suspeito de sempre fornecia a coordenação do ataque. Sem direcionamento os grupos foram rapidamente dissolvidos e/ou abatidos.

Falha 2. Supor que a sociedade iraniana racharia facilmente, ignorando o fato de que a República Islâmica do Irã é uma Republica estruturada, consolidada. Com toda a herança dos persas, uma civilização de pelo menos 5.000 mil anos. Você não destrói algo assim facilmente

       Assim terminou a aventura de Israel dos EUA na tentativa de derrubar o governo iraniano.

Fiz esse texto antes da guerra, achei útil publica-lo mesmo agora onde já enfrentamentos a realidade da guerra de agressão, não provocada, de escolha, dos EUA/Israel mais uma vez tentando derrubar o governo iraniano.

Vamos ver como a guerra se desenrola e se meu raciocínio sobre o Estado iraniano e as implicações dessa guerra estavam corretas. 

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

 

Alastair Crooke – Esperando por imagens de submissão abjeta que não aparecem


A questão é que, nos círculos de Trump de hoje, não só não há medo da guerra, como também existe uma ilusão infundada do poder militar americano. Hegseth disse: “ Somos o exército mais poderoso da história do planeta, sem exceção. Ninguém mais pode sequer chegar perto disso ”. Ao que Trump acrescenta: “ Nosso mercado [também] é o maior do mundo – ninguém pode viver sem ele” .

Leia artigo completo no Brave New Europa

A Tragédia do Império: De Virgílio à Ucrânia

 A Tragédia do Império: De Virgílio à Ucrânia

 

Virgílio, escrevendo há dois mil anos, nos deu um modelo não apenas para a grandeza imperial de Roma, mas também para sua tristeza oculta. Em "Eneida", em meio à fumaça de Troia e ao nascimento de Roma, ele ousou fazer uma pausa. Deu nomes aos sem nome, vozes aos sem voz, aos soldados dispensáveis cujo sangue irrigava o solo do destino. Ao contrário de Homero, que se deleitava com o confronto de heróis, Virgílio rompeu com a hierarquia: mostrou-nos a bucha de canhão, jovens arrastados para guerras que não escolheram, que morreram não por amor ou justiça, mas pela fria aritmética do império.

 Essa dupla visão: glória para Roma, tristeza pelos caídos, continua sendo o eterno paradoxo do império. Augusto exigiu propaganda, e Virgílio a atendeu. Mas, nas entrelinhas, vemos hesitação, quase piedade. O desespero de Dido, as mortes de soldados anônimos, os destroços humanos deixados para trás: essas são as divergências sussurradas de Virgílio. O poeta sabia o que Augusto não queria admitir: que o império se alimenta de sacrifícios, e seu banquete nunca é pago pelos imperadores, mas por aqueles pressionados a servir.


 Avançando dois milênios. Mais uma vez, o roteiro imperial se desenrola. Washington, Londres e Bruxelas, intoxicados por seus próprios mitos, usam a Ucrânia como a ponta de sua lança. Kiev é informada de que está "defendendo a democracia", mas, na realidade, a Ucrânia é transformada em bucha de canhão de Virgílio: vidas jogadas em um moinho, não para preservar sua nação, mas para servir ao império decadente do Ocidente. Os nomes mudam, os trajes são modernos, mas a função permanece a mesma: sangrar pelo destino de outra pessoa.

 

Assim como Virgílio traçou a tristeza por trás da conquista, vemos a tragédia hoje em intermináveis listas de baixas. Uma geração de ucranianos, ensinada a acreditar em um falso destino manifesto alinhado à OTAN, é engolida por uma guerra que jamais poderia vencer. O Ocidente não os lamenta, assim como Augusto não lamentou os troianos anônimos abatidos na estrada de Roma para a glória. Em vez disso, são elevados a abstrações: "heróis", "mártires", "defensores". Mas a realidade é mais simples, mais cruel: são bucha de canhão, recrutados para o roteiro do império, com sua humanidade apagada em favor da propaganda.

 A genialidade de Virgílio foi enxergar os dois lados. A Eneida glorifica a missão de Roma, mas antecipa seu colapso moral. Assim também hoje, testemunhamos a propaganda de "valores" do Ocidente, mas por trás dela há podridão. Este império que finge oferecer civilização só entrega caos, dívidas e guerras por procuração. Assim como Cartago sucumbiu à ambição de Roma, a Ucrânia é consumida pela arrogância de Washington. E assim como a morte de Dido simbolizou os danos colaterais da conquista, a tragédia da Ucrânia não é nobre, meramente sacrificial, não nasce do destino, mas é imposta pelo império.

 A metafísica da guerra e o objetivo final do império convergem aqui: o Ocidente se revela como herdeiro de Augusto, exigindo glória enquanto esconde a decadência. A Rússia, por outro lado, personifica a percepção mais profunda de Virgílio: a de que a civilização deve estar enraizada em algo maior do que a conquista. A de que a guerra não pode consumir indefinidamente o futuro sem destruir o próprio solo que afirma santificar. Moscou se recusa a se deixar reduzir a bucha de canhão no manual de outra pessoa.

 Os gregos e romanos nos ensinaram que impérios ascendem e caem em ciclos, cada um cego por sua própria arrogância. A ambivalência de Virgílio era profética: todo império que ignora a humanidade de sua bucha de canhão cava sua própria cova. Hoje, não é a Rússia que escreve tragédias, é o Ocidente, descartando vidas ucranianas em uma tentativa inútil de reafirmar a hegemonia. Virgílio reconheceria isso instantaneamente.

 A tragédia do império é eterna: o império vive exigindo que outros morram. Virgílio, o relutante profeta da bucha de canhão, previu isso. O vazio da conquista jaz nu, seu teatro exposto como espetáculo. E na Ucrânia, a cortina cai: o "destino manifesto" do Ocidente torna-se seu canto fúnebre. Pois impérios não caem porque são derrotados por inimigos, eles caem porque devoram seus próprios filhos.

 

– Gerry Nolan

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

CRISE EUROPEIA IV

 Crise da Europa IV: O desafio militar

 

Durante a polemica dos drones sobre a Polônia, um ministro polonês disse “ Vá você para a Ucrânia”. A frase foi dita num contexto de pressão dos outros “amigos” da coalização dos indispostos (dispostos). Os amigos cobravam uma ação mais efetiva da Polônia, incluindo o comprometimento em enviar tropas para um lugar chamado Ucrânia.

Sobre o incidente dos drones:

- 19 drones penetraram o território polonês;

- Fotos e relatos dos locais dão conta de que não se tratou de um ataque russo;

- As poucas imagens que apareceram nas redes sócias mostram pedaços de drones colados com esparadrapos, ou seja, montados rudemente, e com características de drones iscas e não drones de ataque;

- Dos 19 drones, só 4 foram abatidos, os demais caíram em território polonês;  

 

Consequências e versões:

 

1  A Polônia abriu uma investigação formal;

2 Várias autoridades polonesas espalharam a suspeita de ataque russo, logo divulgadas amplamente pela mídia oficial ocidental, por todo o Otanistão;

3 A medida em que a hipótese de ataque russo se enfraquecia, por exemplo um cidadão local à a casa que teve o telhado arrancado, afirma que o tal telhado já tinha sido arrancado por uma tempestade no mês anterior, a linha oficial na Polônia foi mudando para um possível ataque da Bielorrússia até que veio à tona a informação de que autoridades bielorrussas tinham avisado Varsóvia sobre os drones. Nesse ponto tá tudo muito confuso.

4 A Polônia está usando o episódio para arrancar mais dinheiro de Bruxelas, enfatizando a necessidade de proteger a fronteira. 

5 Uma versão de origem polonesa da conta que a Ucrânia está usando de bandeira falsa para atrair a OTAN e os EUA para a guerra. Explicando: A Polônia é um país da OTAN. Uma agressão à Polônia poderia levar a entrada formal da OTAN na guerra com envio de tropas. Claro a OTAN está plenamente fazendo parte do conflito, só não assume formalmente, temendo o ataque russo.

A Europa não conseguiu seque deter um ataque de drones iscas que acabaram caindo em território polonês, que só se deu conta do que estava ocorrendo porque a Bielorrússia avisou.

Isso diz muito sobre as capacidades militares da OTAN.

Depois da Segunda Guerra Mundial a Europa estava arrasada economicamente, militarmente. Os EUA financiaram a reconstrução europeia não gratuitamente. Além do custo financeiro, da presença maciça das empresas americanas na Europa, ocorreu também ocupação militar. Os EUA   encheram a Europa Ocidental de bases militares. A Alemanha em especial é uma grande base americana, são dezenas de bases americanas só no território alemão. Os misseis nucleares na Alemanha são dos EUA.   

O resultado é que a Europa não tem exércitos fortes, tecnologia militar de ponta e está muito atrasada na tecnologia de misseis. Só existem três nações com a tríade nuclear: Rússia, EUA e China. A tríade nuclear se caracteriza por ter o poder de fazer um ataque nuclear por água, terra e ar. A França tem alguma capacidade nuclear, a Inglaterra um pouco menos e a Alemanha nenhuma.

O tamanho dos exércitos e sua prontidão de batalha dos exércitos europeus são ridículos perto dos concorrentes maiores. O segundo exército da OTAN é o turco e a Polônia anunciou recentemente a intenção de ser o segundo, sendo os EUA o primeiro, claro. A Alemanha também vem anunciando a pretensão de se tornar esse segundo exército da OTAN e primeiro na Europa Agora, se falamos em divergências no campo do BRICS, e na OCX, não se pode ignorar que a Europa é também profundamente dividida. Se os EUA se afastar da Europa como pretende Trump, a União europeia e sobretudo a OTAN, se esfacelariam em instantes e teríamos um cenário extremamente volátil, com a divisão da Europa em blocos que já estão se formando. Os Estados bálticos formariam o bloco, aliás já estão formando um bloco dentro da OTAN. O centro provavelmente se juntariam (já existe acordo Reino Unido França), A península Ibérica tende a se juntar, talvez com adesão da Itália. Os Estados do leste tenderiam a formar outro bloco.

Por tudo isso, a ideia de uma Europa se preparando para uma guerra contra a Rússia é simplesmente ridícula.   Para terem alguma chance é fundamental segurar os EUA na OTAN, daí o servilismo europeu, daí “o papai Trump”.

Uma comparação muito como entre analistas militares dão conta de outra diferença grave. A capacidade russa de produção é enormemente superior a da Europa. A Europa se desindustrializou muito enquanto a Rússia vem aquecendo sua produção industrial e está com a produção a todo vapor em função do conflito com a Ucrânia.

No entanto, o discurso de a Rússia é um inimigo, opera em várias frentes. Na frente eleitoral, serve para tentar salvar governos liberais sem nenhuma legitimidade como Starmer (Inglaterra), Macron (França) Merz (Alemanha). Serve aos mesmos governos para sua política de rearmamento. É preciso justificar, perante a opinião pública, porque não vão gastar com saúde, educação, segurança, melhorias salariais, moradia porque vão engordar os cofres das empresas de defesa e a proteção dos lucros dos ricos.   

 

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

CRISE EUROPEIA III

CRISE EUROPEIA III

 

 

Então temos uma Europa que depende essencialmente de si mesma para sobre viver.

E aí. Como fica?

Bem vejamos:

 

- Não há mercadorias baratas da China, ou vem sendo reduzidas pelos próprios europeus;

O ouro da África, vários países africanos vêm lembrando que é deles e tomando o que tem para si    

- A energia barata, também por iniciativa da Europa, sumiu. Aliás, mais um prego foi posto nesse caixão com o acordo entre China e Rússia para a conclusão do Power Sibéria II, simplesmente um fluxo absurdo de gás que vai fluir direto da Rússia, passando pela Mongólia e chegando a China, por um prazo mínimo de 30 anos. O Power Sibéria II destinava-se à Europa.

Assim a Europa vem declinado lenta, mas constantemente ao log das últimas décadas.

 No entanto esse movimento para a perda de importância econômica da Europa sofreu uma aceleração acentuada e continua a parti de 2022.

Trata-se da OMS (Operação Militar Especial) da Rússia na Ucrânia. Em meu podcast e no blog já cometamos sobre esse evento, mas faremos um novo post esclarecendo melhor essa questão.

O fato é que a OMS precipitou processos já em andamento. Com a Operação russa em andamento a Europa se uniu aos EUA numa série de sanções contra a Rússia. O efeito danoso dessas sanções foi aprofundado pela explosão dos gasodutos NortStream I e II pelos EUA/Europeus. Fato denunciado pelo jornalista estadunidense Simon Hertz, e afirmado em declarações de autoridades estadunidenses em entrevistas.

O resultado de tais acontecimento vem sendo um aprofundamento da crise europeia que, com os fatores mencionados anteriormente vem assistindo suas economias descer ladeira abaixo.

A essa altura você pode, ok, mas, e os europeus, as pessoas na Europa, como elas estão reagindo a esses eventos?

Vamos lá

- Os preços do gás na Europa tem subido, dificultando a vida das pessoas. Num primeiro momento os governos europeus adoram uma política de subsídios às famílias e as empresas para aliviar o aumento do custo do gás. A capacidade dos governos fornecerem esses subsídios secou.

- O preço dos alugueis estão muito elevados, levando a uma crise de moradia. O irônico nisso é que se você quiser reclamar de moradia na Alemanha por exemplo você deverá se encaminhar para a maior proprietária de imóveis na Alemanha, a Blackstone, dos EUA. Os estados europeus não têm investimento em moradias, isso é, praticamente tudo, setor privado. O trabalhador alemão, britânico, português, espanhol e outros tem gasto mais de 50% de sua renda só para ter um teto, não necessariamente uma casa, onde dormir. Adquirir uma casa proporia é praticamente impossível.

As pequenas e medias empresas na Europa estão sendo sufocadas com os aumentos nos custos de produção. Mas, do outo lado, o sistema financeiro, a ciranda, o grande cassino da especulação, das fintecs, das ações, das criptomoedas, prosperam porque essa é a nova lógica do capital hiperfinanceirizado que caracteriza a fase atual do capitalismo. 

     

 

   

Entenda o Irã PARTE 3

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